O administrador municipal do Sambizanga, José Tavares, é acusado por alguns munícipes de fazer frequentemente ostentação de força, quando se desloca em serviço pela circunscrição que dirige, nas chamadas «jornadas de campo». Segundo fontes deste jornal, José Tavares recorre sempre a dois patrulheiros do comando da II Divisão da Polícia Nacional que atende os municípios do Sambizanga e do Rangel. Contas feitas, o administrador mobilizará então cerca de 16 agentes policiais, sempre que se desloca, o que parece um exagero para alguém que ocupe um cargo do género. De resto, como disse uma fonte do Governo Provincial de Luanda, nem já a Governadora Francisca do Espírito Santo exige assim tanta força quando efectua as suas «vistas de campo».

Normalmente, Francisca do Espírito Santo só se faz acompanhar de um batedor e um patrulheiro, neste último caso sobretudo quando tem de se deslocar para localidades fora do centro da cidade. O funcionário sénior do Gpl com quem conversámos a propósito disse que era necessário por um travão a tais «manias», senão daqui a dias é bem capaz do administrador municipal do Sambizanga pretender que as forças que mobiliza ocasional e exageradamente estejam à sua disposição 24 horas por dia.

 Na visão das nossas fontes, além de configurar uma mera vaidade, a requisição de dois patrulheiros para o «protegerem», enquanto estiverem mobilizados na escolta de José Tavares, acaba por criar um vazio em meios e homens no comando da II Divisão, que, por sinal, já se debate com insuficiências nestes particulares.

O actual administrador do Sambizanga, nomeado há cerca de três meses, é conhecido também pelo seu exibicionismo. Por exemplo, logo após a sua nomeação, fez questão de alugar um helicóptero com o qual se passeou pelos ares de município, antes de fazer na passada uma aterragem no emblemático estádio «Mário Santiago», para que constasse.

Um munícipe que conhece bem a história do Sambizanga garantiu ao Semanário Angolense que não há memória de que algum outro administrador municipal fizesse tanta ostentação de força nas suas deslocações em serviço. «Alguns eram tão simples e chegados aos munícipes que dispensavam até escoltas policiais», disse. «Mais parece uma atitude de exibição», disse o munícipe, que acompanhou uma visita de José Tavares ao mercado do São Paulo, considerando que comportamentos destes, ao invés de o aproximarem da população, como seria desejável, só o afastam mais.

*Valdemiro Dias
Fonte: SA



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