Luanda - Quatro dias depois de a recentemente exonerada ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher ter dado entrada na clínica Girassol, na passada quinta-feira, 3, continuam a pairar muitas dúvidas sobre o estado de saúde de Victória Francisco Correia da Conceição. O silêncio é total da clínica, do Governo e da família. Nem Governo, clínica e familiares pronunciam-se sobre a saúde da antiga ministra

Fonte: VOA

Os principais partidos da oposição em Angola criticam o silêncio do Governo em torno da situação da recentemente exonerada ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Victória da Conceição, internada desde quarta-feira, 2, na clínica Girassol.

 

Eles dizem também que a clínica Girassol, onde Conceição deu entrada, está impedida de dar informações e desafiam o Presidente João Lourenço a indicar alguém para dar esclarecimentos à população.

 

Como a VOA informou na quinta-feira, 3, Victória da Conceição terá tentado o suicídio na noite de quarta-feira, depois de ter apanhado do guarda, enquanto dormia, uma arma com a qual terá tentado suicidar-se. Horas antes ela tinha sido exonerada do cargo pelo Presidente João Lourenço.

 

A informação foi prestada à VOA por um médico da clínica Girassol que, na sexta-feira, confirmou que Conceição teria falecido, mas informações contraditórias levantam muitas dúvidas sobre o caso.

 

O jornalista William Tonet, director do Folha8, diz ser uma situação estranha que não abona a imagem do Executivo angolano.

 

Tonet, que também é jurista, afirma ser responsabilidade do Presidente da República indicar “um representante para esclarecer sobre o estado de saúde” de Victória da Conceição.

 

Do lado dos partidos da oposição, Alexandre André, vice-presidente da CASA-CE, considera que este silêncio mostra o desrespeito pela população angolana que precisa ser informada.

 

Para ele, não é aceitável que não haja um boletim informativo sobre o que se passa com a antiga ministra exonerada e que tentou o suicídio.

 

André apela as autoridades a emitirem um esclarecimento urgente sobre o que terá passado.

 

“É uma vergonha para o próprio país, não haver um boletim informativo sobre o que se passa realmente” reforça.

 

Por seu lado, Raul Danda, vice-presidente da UNITA, entende ser o silêncio uma cultura antiga de não informar sobre o estado de saúde de qualquer dirigente.

 

“É uma cultura em Angola não comunicar o estado de saúde dos dirigentes, ou seja aqui nós não ficamos doentes”, afirma Danda para quem “certamente a clínica não presta informação porque está a a ser impedida, e com certeza pelo poder”.

 

Entretanto, a VOA contactou uma fonte da Polícia Nacional que adiantou estar o caso a nível da Presidência da República, enquanto uma fonte da família escusou-se a comentar o caso, afirmando que só as autoridades competentes podem pronunciar-se.

 

Recorde-se que o Presidente João Lourenço cancelou um encontro que tinha marcado para o passado sábado com o Presidente de Cabo Verde, na ilha do Sal, numa escala a caminho dos Estados Unidos, onde deveria realizar uma visita privada.



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