Luanda - Numa publicação denominada “Diagnóstico do Sector Privado do País. Criacção de Mercados em Angola”, o Banco Mundial classifica o governo cessante em Angola como “nepotista” e gerador de “políticas deficientes.”

Fonte: CidadelaOnLine

“O sector privado está a começar de uma base baixa. Sofreu com décadas de intervenção do estado, nepotismo e políticas deficientes. O crescimento de Angola nos últimos 50 anos foi impulsionado pela despesa pública: pelo contrário, a contribuição do capital privado para o crescimento tem sido muito baixa historicamente, em contraste com o resto da África Subsaariana, onde os investimentos privados desempenharam um papel mais importante na economia. A contribuição do capital privado para o crescimento caiu ao longo do tempo e era negativa entre 1996-2014“.

 

A publicação continua, afirmando que a “presença de Empresas Públicas (EPs) com baixo desempenho em sectores produtivos e, de um modo mais geral, o domínio de interesses ligados à política não levaram à esperada diversificação da economia.

 

A crise do preço de petróleo também deu origem a défices dúplos nas contas fiscais e correntes de 2014 em diante. A dívida pública duplicou ao longo dos últimos quatro anos, enquanto que a inflação disparou para mais de 40 porcento em Dezembro de 2016, expondo riscos macrofinanceiros significativos. O Programa de Estabilização Macroeconómica do governo introduziu medidas para fortalecer a estabilidade fiscal, reduzir a inflação, aumentar a flexibilidade de taxas de câmbio e baixar gradualmente os níveis da dívida.

 

O boom económico não gerou criação de empregos e transformação económica.

 

As alterações na economia durante os anos de crescimento não foram muito favoráveis para os empregos, que foram criados maioritariamente em sectores de consumo e no governo. Embora o valor real acrescentado tenha aumentado 229 porcento em 1992-2015, o emprego apenas aumentou 116 porcento. A maioria dos novos empregos entre 2008 e 2014 foram criados no sector dos serviços (quase 1.2 milhões de empregos), seguido pela administração pública (mais de 240,000 empregos) e construção (mais de 150,000 empregos).


A agricultura, indústria transformadora e transportes e comunicações, por outro lado, perderam empregos. Até 2014, o sector dos serviços tornara-se o maior empregador, com uma quota de 51 porcento da mão-de-obra total, seguido pela agricultura, com 42.8 porcento (comparado a 53.9 porcento em 2008).

 

O Banco Mundial é uma instituição multilateral que, em parceria com o Executivo, tem vindo a apoiar, em termos financeiros e de assistência técnica, diversos sectores, tendo em vista o fortalecimento das capacidades do Estado e do sector privado.

 

Em Julho do presente ano, elevou hoje o volume da carteira de projectos para Angola a um total de 2,52 mil milhões de dólares norte-americanos, após a aprovação, pelo seu Conselho de Administração, de um novo pacote financeiro para o país, no valor global de USD 1,32 mil milhões.

 



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