Huambo  - Todo trabalho científico que não tenha por objecto elementos da vida quotidiana do investigador ou da comunidade para quem o trabalho é elaborado ou destinado, não é se não, a mesmice da mesmice e gera em última instância o suicídio intelectual.

Fonte: Club-k.net

Observamos com alguma preocupação a forma suicida como a tirania das citações têm vindo a castrar a capacidade do homem pensante, pois, nos dias de hoje olhar para um mundo em nossa volta e extrair dela elementos que nos dêem estímulos científicos para sua explicação passou a ser deveras trabalhoso.

 

Assim, desperdiçamos o que de natural diferencia-nos as outras espécies “a imaginação e o pensamento” e adoptamos um estado de passivos leitores da natureza, a um ponto tal, que já não se ensinam questões da natureza indo para a natureza densa que o país tem, hoje por hoje, conhece-se a natureza através dos conceitos pré-concebidos e sua importância é muitas vezes descritas em pequenas alíneas de redacções escolares que só de per si, não nos parece suficiente para estimular ao iniciado no ensino o gosto pela redescoberta de tudo que esteja em sua volta.


Desta feita, o insucesso à iniciação a investigação científica é co responsabilizável aos vários níveis de ensino e sistema educativo, aliás por aquilo que a realidade nos tem dado a provar, depreende-se que a finalidade da educação para o Estado, Famílias, Gestores Escolares e Professores circunscreve-se na formação de bons repetidores das repetições, ou seja, citadores das citações.


Neste estado de coisa em que andam os nossos cientistas sociais e a investigação científica em geral, devemos esperar auto-suficiência em termos de publicações periódicas em grandes revistas e que impacto têm estas investigações no âmbito das resoluções dos problemas globais?


Talvez uma pergunta como está num país como nosso em que fazem-se diariamente “Ph Ds” não tenha atenção que mereça, mas é nesta falta de atenção mesmo que coloca-mos a tónica da nossa reflexão!


É chegado o momento de introspectivar os nossos saberes e os saberes que queremos que os nossos filhos e netos venham a saber de hoje para o futuro, afinal, transmitir o valor de uma árvore partindo de resumos conceituais apresentados ou visualizados por uma retroprojectora num programa de PowerPoint é tão apatriota que soa a idiota, pois através da observação dos nossos densos parques florestais desde os naturais aos criados pelas acções humanas, é, e seria possível não só transmitir uma educação prático- concreta, mas como também serve de estímulos ao saber-saber, saber-fazer, saber-ser, saber-cuidar as espécies em volta ao nosso meio. Mas no contexto do investigar científico actual, toda intenção que nos leve a este sentido, seja de iniciante à pesquisa ou de pesquisadores seniores é sempre limitada a partida com o referencial da revisão da literatura, pois não basta o observar e o pensar para ser científico é mercê que o observável e o pensável sejam por inerência da revisão literária também citável, deste tipo de lógica abstraía-se tudo, menos cientificidade.


Não matemos o homo sapiens que há em nós pela tirania da citação da citação, precisamos ressuscitar o enciclopedismo que havia nos antigos fruto da leitura sagaz que abstraíam da natureza e de tudo que lhes era perceptível através da imaginação, os especialismo de que nos reduzimos nos dias de hoje demonstram no essencial a crise do pensar que enferma a nossa geração.

*Abílio Vasco Candango, Jurista e Professor Estagiário no ISPSN-Huambo

 

 



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