Luanda - Cerca de dez casos de tentativas de suicídios são registados mensalmente, no Hospital Psiquiátrico de Luanda, envolvendo adultos e crianças menores de 10 anos, deu a conhecer ao Jornal de Angola, o psicólogo clínico e psicanalista, Adriano Faustino.

Fonte: JA
Para o especialista, muitos desses casos, em crianças e jovens, tem a ver com problemas psicológicos, sociais e biológicos, em que muitos menores dão entrada naquela unidade sanitária com graves golpes de auto mutilação nos pulsos e outras tentativas de suicídio.

 

Adriano Faustino explicou que a perca do poder de compra por parte de muitas famílias, falta de emprego, particularmente para os jovens formados, o insucesso nos projectos pessoais e a educação declinada, podem de forma expressiva contribuir para a tentativa de suicídio na camada adulta.

 

Nas crianças, ressaltou o psicólogo clínico, as tentativas de suicídio podem ter como base o mau aproveitamento escolar, com reprovações repetidas e ciúmes no seio familiar, aliado a problemas conjugais entre os progenitores.

 

Nalguns casos, a má preparação dos pais, que os leva a fazerem comparações entre os filhos, com a agravante de os rotular, pode causar uma certa regressão a estes, principalmente quando são agredidos devido a certos comportamentos como chorar em vão, urinar na cama, isso aumenta a frustração, crescem com ódio e podem suicidar-se.

 

"Todo o ser humano, quando mais de 50 por cento dos seus planos não dão certo, fica doente, com o stress, depressão, ansiedade e fobias", revelou o especialista, sublinhando que quando a depressão atinge a exaustão, o indivíduo perde a necessidade de viver, assim como o amor próprio.

 

Adriano Faustino revelou que quando começam a surgir as doenças de foro psicológico, a primeira coisa que acontece num indivíduo, seja adulto ou criança é a perca do amor próprio e pelo próximo, tendo recomendado às famílias a estarem mais atentas, controlarem os sinais e os sintomas.

 

Explicou que, normalmente, antes do suicídio a vítima mostra sinais, que os especialistas e famílias podem decifrar, caso se preste atenção, já que o indivíduo coloca-se num isolamento social, não rende no trabalho ou escola, desconfia de todos, rejeita ambientes que ante era do seu interesse e passa a ter depressão constante.

 

"Ao notarmos isso num indivíduo, é sinal de que algo não está bem e às vezes, pronuncia palavras que nos chamam atenção, como, por exemplo: 'não tenho valor nesta casa, vale a pena desaparecer' e como as famílias não estão preparadas, não se apercebem", disse Adriano Faustino.

 

Por este facto, aconselhou as famílias para a cultura de fazerem exames de rotina psiquiátrico, porque em seu entender, "quando a cabeça não regula, o corpo que é quem paga".

 

"Os pais devem ter sempre o cuidado de reparar os pulsos das crianças, porque muitas usam lâminas para cortes do próprio corpo". A título de exemplo, disse que tem recebido de algumas escolas, chamadas para intervenção junto de alunos que usam os WC para a prática de tentativa de suicídios.

 

Adriano Faustino e outros especialistas do ramo criaram um grupo de trabalho, denominado "Psicólogos em acção", para o atendimento psicológico nas escolas, tendo chamado a atenção para o envolvimento da família para uma terapia em grupo, com vista a ditar o tempo de tratamento e ajudar a estancar a intenção de suicídio de menores.

 

"Há casos que podem ser estancados num período de um ou dois meses, havendo outros que levam mais tempo", explicou o psicanalista, para quem há factores pré disponentes que levam o indivíduo a consumar o acto, por viver ou trabalhar com alguém que é motivo para o seu suicídio.

 

O médico falou da possibilidade de alguém amar sem saber da sua verdadeira identidade, como a base fundamental de todos os transtornos neuróticos, principalmente quando há um conflito entre os pais, levando o indivíduo a sentir-se melhor na ausência destes.

 

"Quando encara essa pessoa, o seu batimento cardíaco e comportamento alteram e quando não é controlado, acontece o que menos se espera: o suicídio", alertou o médico psicanalista do Hospital Psiquiátrico de Luanda.

Doentes mentais estão a ser recolhidos das ruas da cidade

Outrossim, a Administração Municipal do Huambo está a recolher doentes mentais que deambulam pelas ruas da cidade, com vista a tratá-los e consequentemente evitar que causem constrangimentos à sociedade.

 

Segundo a directora municipal da Acção Social, Elisabete Castanha, nos últimos dias, agentes dos Serviços de Saúde recolheram doentes com patologias mentais que têm tratamento. “Depois de um trabalho aturado, a área da Psiquiatria do Hospital Geral do Huambo apurou que algumas pessoas que estavam na rua contraíram doença mental por frustração e discriminação famíliar”, disse.

 

“A Repartição Municipal da Saúde”, acrescentou, “vai continuar a recolher os doentes mentais que estão nas artérias do município do Huambo”.

 

Elisabete Catanha informou que já foram recolhidos dez pacientes, dos quais dois diagnosticados como doentes mentais e os outros oito sem perturbações mentais. “Eles foram submetidos a vários testes psicológicos no Hospital Psiquiátrico. Portanto, os dois doentes mentais estão a receber assistência médica e medicamentosa”, frisou. A responsável da Acção Social adiantou que o trabalho vai prosseguir até que todos os doentes que estão na rua sejam recolhidos.



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