Luanda – Quando se homenageiam aqueles antes vistos como de outro lado da barricada, o que se pretende com isso é resgatar a cidadania, ir ao encontro dela, afinal o país não é só o político de conveniência, mas é acima tudo inclusão a todos tendendo ao pluralismo e abertura que permite que todos dêem sua a quota-parte. E, já agora, homenagear é ser magnânimo, grande.
                       
Fonte: Club-k.net

Homenagear é reconhecer os feitos

De todas as homenagens feitas no dia 7.11.2019 pelo Presidente da República, salvo todos os méritos, ao Rafael Marques é a que vem merecendo um destaque tal porquanto o Chefe de Estado João Lourenço, com isso, passou um forte recado aos seus auxiliares dizendo que vê com bons olhos o que vem sendo feito mas sobretudo concorda com as denúncias do Rafael Marques.

No fundo, considera o homem um parceiro na convicção sobre o perigo do comportamento de alguns membros do governo assim como de outros agentes de Estado. O país só beneficia. Quem é bom patriota tem de levar o Rafael a sério.

E sobre as últimas denúncias, o Bairro dos Ministérios, os números do BNA, os dinheiros, as empresas, sai obra entra obra, são um problema bicudo. Ele diz que não inventa coisa alguma, apenas vai atrás dos relatórios, dos Diários da República, das Resoluções e lá encontra tudo, desde as assinaturas bem como as percentagens de cada um em sociedades.

Os dados que o Rafael trás a estampa são um verdadeiro livro de processo, produzem um bom manual para o efeito de transparência entre nós. Ele sabe quem é pessoa politicamente exposta e quem não é. Só assim esteja à vontade para fazer suas investigações. É preciso decidir as coisas. E o conceito de Pessoa Politicamente Exposta, em Angola, está agora mais alargado e ajustado. Antes havia um drible. Como conceber que Pessoa Politicamente Exposta fosse apenas o estrangeiro?

Ou havia visão míope de juristas angolanos, com demais agentes de especialidades diversas, ou se estava a mentir sobre o conceito para beneficiar a Legião, a estrutura antes montada. E assim muita coisa foi feita para chegarmos ao estágio em que o país se encontra. E isso deve-se aos idolatrados juristas, finalmente, estes, os tais, eles, também políticos ou, no mínimo, mercantilistas. Mas é o país que temos hoje!

Na verdade, país tem de se redescobrir, denunciar-se, aceitar o erro para entrar nos píncaros. Ainda que a Bíblia diga que todos pecamos e estamos destituídos da graça, entre nós angolanos, o trecho teológico é de estudo. Temos que aceitar o nosso e tudo passa por contrição. Aliás, initium sapientiae timor Domino/ o temor de Deus é o início da sabedoria. Missa dixit (está tudo dito).

Desde logo, será importante reconhecer o erro e, de seguida, entregar aquilo de que se locupletou ao povo. Isso é que é dizer mea culpa. O apelo vai, sobretudo, a aqueles que estão no topo 10, dos milhões e que insistem em manter o dinheiro no Banco dos outros.

O dinheiro na Europa é oferta, já agora, pois entra com facilidade e sair que é sair, já requer muitas formalidades. Então quem para lá transfere o dinheiro fa-lo com dolo, ciente de que esteja apenas a deserdar o país. Os que assim fazem estão reconhecidos.

Têm de facilitar o processo. Entreguem, colaborem e ajudem o processo a ser mais célere na recuperação de activos para não ficarem cativos mas sobretudo para não se sentirem mal sempre que se falar da transparência, da probidade, de marimbondos, da lei contra a corrupção, branqueamento de capita, equilíbrio, paz, Justiça social.



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