Luanda - Nos últimos meses, os ressentimentos entre angolanos parecem ter dado lugar a cenas de violência, com gangs a atacarem escritórios e dormitórios de trabalhadores chineses em Angola, disse à BBC o director do Conselho de Negócios da China em Angola, Xu Ning. Segundo ele, pelo menos quatro pessoas morreram no último ano, a última das quais na semana passada na zona de Viana, a leste de Luanda.

 

* Louise Redvers
Fonte:BBC


“Um grupo armado irrompeu pela casa adentro de um trabalhador chinês para o roubar. Ele estava a trabalhar há um ano e tinha o dinheiro que poupou numa pasta. Inicialmente lutou com os bandidos que lhe queriam roubar essa pasta mas depois eles deram-lhe um tiro no pé. O cidadão chinês parou de lutar mas eles deram-lhe outro tiro na barriga. Ele foi para o hospital e depois morreu”, narrou.

 

De acordo com Xu Ning, os gangs estão a ganhar confiança e, de roubos rápidos e esporádicos, passaram a ataques mais planeados e prolongados.  O que está a acontecer em Angola regista-se em cidades em todo o mundo, não é um problema específico com os chineses.


Em contacto telefónico com a BBC, o Superintendente-Chefe Jorge Bengue, do Comando da Polícia em Luanda, disse que "este tipo de incidentes podiam acontecer em qualquer lugar e a qualquer um, angolanos, portugueses ou chineses".

 

Ele sublinhou que "a situação do crime é uma realidade, mas que o problema em Luanda não é específico com o povo chinês".


A embaixada chinesa disse à BBC que estava a par da situação e a trabalhar com as autoridades angolanas para resolver o problema.


A BBC contactou também um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros que disse não estar a par de nenhuma situação específica de violência contra chineses em Angola.


O superintende-chefe confirmou que um chinês foi morto a semana passada em Luanda, mas considerou o facto um caso islodado.


Condições


Mais de 40 mil chineses trabalham em Angola, na sua maioria na construção civil, mas alguns também em pequenas e médias empresas de importação. A maior parte começou a chegar em 2002, a seguir ao fim da guerra civil, quando o governo assinou acordos com Pequim.


O petróleo angolano foi a moeda de troca para os projectos de reconstrução de infra-estruturas em que os chineses se envolveram. A maior parte fica apenas um ou dois anos trabalhando longos turnos em obras de construção civil e vivendo em condições básicas em dormitórios nos arredores das cidades.


As relações entre os angolanos e os chineses não são fáceis. Alguns ressentem o facto de os operários asiáticos estarem a trabalhar até nas tarefas mais básicas dos projectos de construção civil.


Mas também há os que se alegram com o facto de os chineses, que trabalham com extrema rapidez, estarem a dar ao país novas estradas e edifícios.



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