Luanda - As infiltrações nos tectos e fissuras nalguns apartamentos da Centralidade do Kilamba, no município de Belas, em Luanda, originam da execução de obras no interior das residências, feitas sem a autorização da administração

Fonte: Angop

Em declarações à Angop, Angelino Quissonde, engenheiro de construção civil, disse que existem duas causas fundamentais para o aparecimento das infiltrações e fissuras nalguns edifícios.

 

Para o primeiro caso (fissuras), apontou a execução de obras no interior dos apartamentos, sem a autorização da administração, bem como o facto de alguns moradores deixarem as torneiras abertas, provocando inundações, infiltrações e destacamento de azulejos e mosaicos.

 

Neste aspecto, como medida, deve ser feita uma intervenção, porque a “patologia”, como considerou, é passiva e causa degradação lenta.

 

Outra situação que pode causar fissuras, segundo o engenheiro, é a não-realização de um estudo minucioso dos solos, no sentido de se determinar a profundidade dos assentamentos das fundações, sapatas e estacas.

 

Quando isso acontece, prosseguiu, há ocorrência de fissuras activas, fruto de assentamentos côncavos e, consequentemente, a abertura prematura de trincas e rachaduras.

 

“Existem roturas e vazamentos nas instalações de água canalizada e esgotos, por isso se recomenda que as próximas construções tenham estas instalações fora do betão armado, para que, quando surgir uma rotura ou vazamento, o morador possa fazer a devida reparação”, explicou.

 

Alguns moradores afirmaram que está a ser difícil gerir a situação, já que recorrem à empresa responsável pelas obras da cidade, CITIC, (China International Trust and Investiment Company) e esta, depois de avaliar, remete o orçamento ao morador.

 

De acordo com os inquilinos dos apartamentos afectados, os orçamentos, na maior parte dos casos, ascendem aos 200 mil kwanzas.

 

Ana Dias, moradora do Bloco-1, fez saber à Angop que o elevador do edifício onde mora está inoperante desde Outubro e a sua manutenção está orçada em cerca de um milhão de kwanzas.

 

Já outro morador, do F-16, informou que o seu apartamento tem infiltração e fissuras, tendo já recorrido ao Fundo Habitacional, mas sem obter resposta.

 

Para Marta da Conceição, do Bloco-G, a administração da cidade nada diz absolutamente sobre a situação que, em muitos casos, se tornou caótica.

 

“É difícil, meu irmão. Uma casa que estamos a pagar, assim neste estado (…). Para lhe ser sincero, não sei o que dizer. Já fomos à CITIC, mandaram aqui alguns técnicos, mas nem com isso”, lamentou uma das moradoras de um dos edifícios no Quarterão H.

 

Outro morador, que se encontra na mesma situação, referiu ser complicado acreditar que prédios novos, com menos de 10 anos, já estejam nestas condições.

 

Em contrapartida, um técnico afecto à CITIC declarou que o problema não é como os edifícios foram construídos, mas, sim, como estão a ser utilizados.

 

Quanto às fissuras, alegou ser uma situação que o Grupo CITIC tem resolvido da melhor maneira possível.

 

“As pessoas têm de entender que não podemos resolver tudo de uma só vez”, acrescentou o técnico.

 

A Centralidade do Kilamba está localizada a cerca de 24 quilómetros a Sul do centro da capital, Luanda.

 

O projecto foi concebido para se desenvolver em três fases, com um total de 82 mil apartamentos, numa área de 54 quilómetros quadrados.

 

Neste momento, vivem na Centralidade, a maior do país, pelo menos 100 mil pessoas.

 

Considerado um dos maiores projectos do género em África, foi inaugurado em Julho de 2011 e conta com 20 mil e cinco apartamentos.



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