Luanda - A empresa norte-americana Halliburton, prestadora de serviços às empresas do sector petrolífero, com trabalhadores em greve desde 16 de Dezembro, intentou uma acção judicial em tribunais contra o Sindicato das indústrias petrolíferas e despediu desde quarta-feira mais de 43 sindicalistas que aderiram à greve para exigir o reajustamento dos seus salários ao câmbio actual entre o dólar e o kwanza: 1 dólar vale 495 kwanzas, quando a empresa ilegalmente paga-os ao câmbio de 2014, quando 1 dólar valia cerca de 100 kwanzas.

Fonte: RFI

Até 2013 os trabalhadores do sector petrolífero eram pagos em dólares, mas desde então uma lei obriga ao pagamento em moeda nacional, mas ao câmbio diário definido pelo Banco Nacional de Angola, como refere Franck dos Santos um dos grevistas. “A greve decorre há 76 dias, desde 16 de Dezembro de 2019. Por motivos de Reajuste Cambial em função da Lei 2/12 de Janeiro de 2013. A empresa despediu mais de 50 trabalhadores em regime de greve”, anunciando também que “a empresa intentou uma acção judicial sobre o Sindicato (SIPEQMA) alegando que o Sindicato é que está a instigar os trabalhadores a não levantar a greve”, disse o funcionário sénior há mais de 12 anos de serviço.

 

Já o presidente do Sindicato das Indústrias Petroquímicas e Metalúrgicas de Angola (Sipeqma), João Ernesto Pedro, confirmou também à RFI o despedimento de trabalhadores e da acção judicial intentada pela Halliburton: “nesse momento confirmo existir em tribunais uma acção de providência cautelar intentada pela petrolífera americana Halliburton, que está a despedir mais de 43 trabalhadores, apesar do Sindicato continuar aberto ao diálogo. O que se sabe é que os tribunais nesse momento ainda estão de férias, mas fomos notificados de uma acção”, disse.

500 empregados em greve desde Dezembro

Mais de 500 trabalhadores da petrolífera americana Halliburton, prestadora de serviços às empresas do sector que operam em Angola, estão em greve por "tempo indeterminado" desde Dezembro último, em protesto contra salários não actualizados ao câmbio do banco central.

 

Uma delegação de deputados do Grupo Parlamentar da UNITA efectuou, em finais de Janeiro, uma visita aos funcionários grevistas da empresa Halliburton.

 

Falando à imprensa, o primeiro ministro do Governo Sombra da UNITA, Raúl Danda disse na altura que o Grupo Parlamentar do seu Partido iria interpelar a Sonangol e o Ministério dos Petróleos sobre a situação dos trabalhadores da Halliburton que estavam em greve.

 

A motivação da greve são os salários não actualizados ao câmbio do dia, tendo em conta a desvalorização do kwanza relativamente ao dólar americano, o corte dos salários em consequência da greve de há 76 dias e, a substituição dos mesmos por expatriados que entram em Angola com vistos turísticos.

Governo procura solução

No início de Fevereiro, o Governo pediu diálogo através de um comunicado do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (MIREMPET) onde, na ocasião, decorreu um encontro, na sede do órgão ministerial, entre o ministro do sector, Diamantino Pedro Azevedo, o ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Jesus Maiato e o vice-presidente da petrolífera americana Halliburton para a zona leste, Joe Rainey.

 



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