Lisboa – A aprovação da reedificação orgânica dos departamentos ministeriais, em Angola, foi sucedida com a elevação de dois novos rostos que até então operavam discretamente na penumbra do poder. Tratam-se de Victor Francisco dos Santos Fernandes, nomeado para o cargo de Ministro da Indústria e Comércio e Adjany da Silva Freitas Costa, para o cargo de Ministra da Cultura, Turismo e Ambiente.

Fonte: Club-k.net

Já operavam discretamente na sombra do poder 


Victor Fernandes era até pouco tempo notabilizado como analista num espaço dominical da televisão privada “TV Zimbo”. Natural do Huambo, Victor Fernandes estudou em  Portugal.  Viu-se motivado a regressar a Angola depois de em Outubro de 2004, ter participado num encontro de quadros angolanos residentes no exterior promovido pelas autoridades. Em Angola destacou-se como executivo em varias empresas dentre as quais a TPA, de que foi administrador. A sua recente nomeação para ministro do comercio surgiu depois de o Presidente da República, ter solicitado um nome ao ministro da Economia e Planeamento, Sérgio de Sousa Mendes dos Santos e este por sua vez indicou Victor Fernandes que estava colocado no seu gabinete como consultor.


Por ser um “outside” do ministério do comercio, há estimativas de que numa fase inicial, as cruciais decisões, estão destinadas a serem tomadas depois do parecer de um veterano Amadeu de Jesus Alves Leitão Nunes que ocupa o cargo de Secretário de Estado do Comércio, e homem de confiança de Edeltrudes Costa, do gabinete presidencial.


Adjany da Silva Freitas Costa, a nova Ministra da Cultura, Turismo e Ambiente era desde Fevereiro de 2016, consultora para Aquicultura Continental do recém exonerado Secretário de Estado das Pescas para a Área de Aquicultura, Carlos Filomeno de Martino dos Santos Cordeiro. Com um mestrado em biologia marítima, Adjany Costa, que suspendeu o programa de doutoramento para servir o executivo angolano, foi nomeada no seguimento de um “lobby” movido por uma corrente associada a José Carlos Manuel de Oliveira Cunha “Oca”, membro do Conselho da Republica, e antigo consultor técnico do ministério do Turismo. Cunha é dado como tendo interesses no projecto turístico  Okavango por via do general Higino Carneiro.  A nova ministra foi até pouco tempo a directora do projecto da National Geographic Okavango-Zambeze.


O formato inicial para este sector era de que com a configuração do novo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, a antiga ministra do turismo Ângela Bragança passasse a Secretaria de Estado para o turismo. De acordo com apurações, Bragança terá rejeitado ser reduzida a “subordinada” de Adjany Costa que tem a desvantagem de estar desprovida de experiência administrativa.


Um politólogo ouvido pelo “Correio Angolense” entende que “Se Ângela Bragança era carta fora do baralho, a lógica indicava que a ministra fosse Paula Coelho, que já tinha alguma experiência administrativa que vinha dos anos em que foi secretária de Estado e ministra do Ambiente”.


O especialista não tem duvidas de que “A nomeação da nova ministra pode ter sido resultado de pressões ou de lobbies de grupos (nacionais e internacionais) interessados no negócio do Projecto Okavango, provavelmente os mesmos que amarraram o governo num contrato milionário de 100 anos para a gestão de um aterro sanitário”.

 



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