Luanda - Reparem, eu não estou aqui para o incriminar ou julgar por não ser esta a minha competência, somente me move o anseio de derramar luz sobre factos do presente, de maneira a poder descrever e explicar os meandros da corrupção do domínio da actualidade com maior rigor. Se alguém tiver de julgar alguém, cabe as estruturas institucionais e aos órgãos de cidadania, assumir semelhante responsabilidade.

Fonte: Club-k.net

Mas antes de prosseguir deixa – me fazer – lhes advertência: a corrupção é um veneno tóxico quando semeada no terreno do sistema da saúde. A carência já se tornou numa verdadeira virtude no âmbito dos hospitais de Angola, à começar pelos recursos materiais descartáveis como luvas, seringas, avental, brânulas, agulhas, etc, etc, falta quase tudo que é necessário, quando a assistência é uma palavra de ordem. Na maioria das vezes não tem havido recursos materiais para tratar os doentes que ali acorrem. Muitos são os que entram e de lá não saem vivos por não receberem alguma assistência de maneira eficiente.

 

Joana o nome fictício que passamos à apelar, foi levada numa instituição de saúde de Luanda do sistema público, terá sido diagnosticada AVC, o abandono da paciente por parte dos profissionais, levou os seus familiares à um abalo descomunal, tendo desde logo, desenvolvido esforços para pagar os servidores de saúde para que se fosse exigir maior cuidado à utente. Porém, mesmo pagando, os cuidados prestados não foram dos melhores. A equipe de serviço apressou - se em dizer aos familiares que não tinha esperança de que a mesma sobreviveria. Esta certeza por parte dos profissionais ali postos à trabalhar foi-se alterando à medida que o dinheiro começou a aparecer nos corredores do hospital. Aqui está um caso, como da menina que terá recebido uma hemotransfusão que serviu de passaporte para o HIV/ SIDA, tendo o facto se repetido em duas doentes, porém, o silêncio por parte dos órgãos competentes, as vezes deixa a desejar. Mas deixemos de lados os problemas, porque o que mais existem nestes lugares são problemas sem soluções.



Sabe – se que, em certos hospitais para fazer uma cirurgia paga – se perto de 100 mil kzs a equipe encarregue pela cirurgia, esse valor não vai à caixa do hospital, mas sim ao pessoal que se encarrega de realizar a cirurgia. As parteiras das maternidades acostumaram – se à receber tostões aos pacientes pelo trabalho que prestam nas maternidades, há hospitais como sanatório, hospital geral, etc, onde alguns médicos recebem dinheiro nas consultas que servem aos pacientes, além de mais, há por aqui um problema do tamanho do mundo com relação a formação do quadro técnico em saúde. No âmbito das escolas de Formação de Técnicos de Saúde, a Ministra deveria prestar maior atenção com relação à esse forum, é neste lugar onde a corrupção ocupa lugares cimeiros, indo desde a aquisição de uma vaga, as notas dos estudantes, etc, etc, há tantos erros que escorrem à esse nível que deixam à desejar, onde professores já chegaram de engravidar alunas, mas nada com esses terá acontecido. Perguntamos, quais as razões que levam a Ministra da saúde manter corruptos em frente do destino de instituições de ensino do Estado? A educação é o sector chave da sociedade, desde logo, não deveria haver um investimento em actos de corrupção como acontece em Angola, outrossim, os indivíduos afectos à corrupção andam nestes sectores há anos e anos porém, permanecem no mesmo, lugar sem se moverem.

 

O que mais nos aterroriza face à isso é o silêncio das autoridades angolanas nos meandros da formação do quadro técnico e profissional em saúde, sobretudo em Luanda, hoje, ninguém consegue uma vaga nestes lugares sem pagar algum dinheiro. Mas o silêncio descomunal por parte das autoridades competentes em Angola deixa à desejar. São nas instituições de formação do quadro técnico, como escolas técnicas de saúde, onde ocorre avultada soma de corrupção, mas o silêncio colossal por parte da titular do poder executivo da saúde, é admirável. Não poderá haver bons quadros se o País continuar a fazer da formação do pessoal técnico (enfermeiros e os damais) num abandono descomunal, como ocorre hoje. Em tempos idos identificaram – se enfermeiros, farmacêuticos e demais profissionais portadores de certificados comprados em escolas técnicas de Luanda, mas as pessoas visadas continuam em frente do destino das mesmas instituições, aliás, são bem aplaudidas pelo horror que semeiam no sector onde estão inseridos, transformando a formação de quadro numa verdadeira perdição. Aliás, a formação do quadro técnico em Angola, há muito que transformou – se num verdadeiro negócio privado dos donos destas instituições. Como se pode esperar uma boa assistência de uma enfermeira que comprou o certificado que ostenta? Ou que pagou para passar de classe como é o hábito na maioria das instituições de ensino em saúde de Luanda? Mas onde anda a ordem, que não existe, e, somente teria de partir da própria ministra, a titular do poder executivo e dona disto tudo. Os sintomas da corrupção têm a sua origem em profissionais corruptos que, mesmo fazendo tanta corrupção, a Ministra prefere os manter em frente do que é de todos e a sua propagação contaminou todas as partes da equipe de saúde. Não pode haver saúde com enfermeiros mal formados, ou formados à pedrada ou à compra de notas. Em nenhum momento, as autoridades da saúde de Angola, se opuseram, pelo menos, abertamente, à esta degradação da formação de quadros técnicos em Luanda. A sua acção peca, por assim dizer, pela tibieza, pelas meias palavras que são as verdadeiras coniventes da propagação da corrupção no sistema nacional de saúde em Angola.

 

Enquanto muitos se centram em propagandas fanáticas advindas da fama que deu a glória à Dra Silvia Lutukuta, esta, deveria aproveitar essa glória e fortalecer o seu poder começando por punir os corruptos do seu próprio ministério. A ministra acostumou – se à levar ao tribunal médicos, enfermeiros, maqueiros, catalogadores e outros tantos, mas nunca a vimos conduzir ao tribunal um único director de qualquer instituição de saúde, quer essa seja hospitalar ou mesmo do ensino, aliás, manteve corruptos em instituições que sabia que havia lá corruptos à dirigir os destinos daqueles lugares. Sabemos nós, de antemão que, quer os hospitais, centros de saúde e escolas de formação de técnicos profissionais de saúde, são órgão afectos ao ministério da saúde, desde que estes surgiram. Aliás, não é o Ministério da Educação quem deve ditar as regras das instituições de ensino, no âmbito da saúde, mas sim, o próprio ministério da saúde que tem - se vindo à escusar ser parte responsável pela degradação do ensino técnico em Angola. Nestes patamares ocorrem corrupção de vária ordem, porém, nada acontece aos visados.

 

BEM – HAJA!

 



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: