Lisboa – A nomeação de Joana Lina Ramos Baptista Cândido, em substituição de Sérgio Luther Rascova Joaquim como nova governadora de Luanda, é referenciada em meios políticos em Luanda como tendo sido um “duro golpe”, a correntes internas do partido que haviam proposto nomes de figuras ligada ao Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil do MPLA. Para a irritação de tais corrente, o PR nomeou Joana Lina.

*Paulo Alves
Fonte: Club-k.net

Lutas pelo controlo  do Comitê Provincial de Luanda

Apesar de prematura, a saída de Sérgio Luther Rascova Joaquim do cargo de governador provincial de Luanda, é justificada como uma medida encontrada por João Manuel Gonçalves para salvaguarda-lo e por conseguinte desanuviar o clima hostil envolvendo grupos do Comitê Provincial do MPLA e do Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil que ultimamente eram citados  como estando a gladiar-se.

 

Segundo o África Monitor Inteligente “o afastamento de Luther Rescova do governo provincial de Luanda (nomeado para o Uíge), foi, por sua vez, sugerido pelo BP do MPLA, que não via na sua juventude e no seu voluntarismo qualidades para estar á frente do respectivo Comité provincial do partido”

 

Desde o inicio do corrente ano, quadros afectos Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil foram identificados como entusiastas de conteúdos discriminados nas redes sociais na qual atribuíam alegada estagnação do Comité do MPLA, em Luanda e ao mesmo tempo culpando Sérgio Luther Rascova Joaquim na qualidade de primeiro secretario e ao seu “adjunto” Manuel Teodoro Quarta.

 

No dia 13 de Março, uma noticia do portal “lilpastanews” apresentava como solução dos problemas partidários de Luanda, a elevação da Directora do Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil do MPLA, Anabela Diniz dos Santos como Primeira Secretaria do partido na capital do país, e Tomás Bica Mumbundo para futuro segundo secretário.

 

Ao procurar sanar divergências existentes entre o “Comitê do Partido em Luanda” e o “Gabinete de cidadania”, o Presidente do MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço (JMGL) remeteu o assunto a direção do partido e ao mesmo tempo requisitou solução a sua vice-presidente, Luísa Pedro Francisco Damião. Está por sua vez, apresentou o nome de uma dirigente do BP, Maricel Marinho da Silva Capama como sugestão para o cargo de Governadora de Luanda, e o de Anabela Diniz dos Santos como futura primeira secretaria do MPLA, na capital do país.

 

João Lourenço recebeu as propostas mas para o desagrado das partes interessadas nas mexidas feitas, nomeou como governadora de Luanda, Joana Lina Ramos Baptista Cândido de quem Luísa Damião e Anabela Diniz, não partilham relações de afinidades.

 

Num artigo intitulado “interesses de João Lourenco na recuperação de Joana Lina”, o África Monitor, analisa que a nomeação da nova governadora de Luanda, é vista em meios políticos habilitados como “novo sinal” de que JL está a reabilitar , e eventualmente , a tentar atrair para o campo dos seus apoiantes no regime figuras no passado conotadas como “muito próximas” do anterior PR, José Eduardo dos Santos.

 

De acordo com constatação, o “desencontro” entre correntes conotadas a Sérgio Luther Rascova Joaquim e Anabela Diniz, começou a ser verificado pela primeira vez, em Outubro de 2019, na véspera do 8º congresso ordinário da JMPLA, em que apoiaram candidatos distintos. O grupo de Rascova apoiou o candidato vencedor Cristiano dos Santos, enquanto que a ala de Anabela Diniz saiu derrotada ao vergar-se pela candidatura de Domingos Betico, tido como “sobrinho” da Vice-Presidente do MPLA, Luísa Damião.

 

Tão logo fez-se o anuncio da recente  nomeação de Joana Lina, alguns grupos internos conotados ao gabinete de cidadania e ao actual  administrador do Sambizanga, Tomás Bica Mumbundo exaltaram não só a saída de Luther Rescova de quem se enciumavam com a sua acessão política mas como também procuraram apresentar-se disponíveis junto da nova governadora provincial.

 

Os referidos grupos que também se apresentam como “cabo eleitorais” alegam que não eram tidos nem achados pelo que aproveitaram a ocasião para escrever nas redes sociais que “Agora é necessário dar lugar aos verdadeiros cabos eleitorais do MPLA em Luanda como Anabela, Tomás Bica, Bento Sebastião Bento e Wakana Oliveira, que são elementos com certa aceitação junto das massas”.

 

Antigo Primeiro Secretário da JMPLA de Luanda, Tomás Bica é conhecido como não se revendo na ascensão política de Luther Rescova, seu ex- superior na direção da juventude do partido. Rescova é aprazado como tendo o perdoado nos seus sucessivos erros. Em 2008, a quando do mundial de futebol da Alemanha, Resvova terá salvaguardado Bica da acusação de que teria se apropriado de bilhetes de acesso ao estádio reservados para a JMPLA, colocando a venda no circuito paralelo. Em 2019, assim que se tornou governador de Luanda, Rescova reabilitou-o fazendo dele administrador municipal do Sambizanga.

 

Ainda assim é considerado por grupos internos, como atestou esta semana nas redes sociais, o militante Wankana de Oliveira. “Digam o que quiserem, para mim Tomás Bica represente os verdadeiros ensinamentos do MPLA de 1975. Daqueles que dá orgulho em chamar Camarada. Atenção, ninguém é perfeito, mas acções do género fazem muito efeito”.

 

Coincidência ou não, elementos do grupo citado como interessado em “ficar” com Comitê Provincial de Luanda foi citados em Setembro de 2019 pela antiga deputada do MPLA, Tchizé dos Santos como “agressores” a sua pessoa.

 

De acordo com Tchizé dos Santos “O Senhor que atende pelo nome “Wankana de Oliveira” e se apresenta como dirigente da JMPLA (Membro do Comitê Nacional da JMPLA, creio eu e que foi parte da equipa da campanha do Presidente João Lourenço no Departamento de Informação e Propaganda do Comitê Provincial do MPLA e esteve a colaborar na sede do MPLA), fazendo questão de tratar por “Mamuska” a Directora do Gabinete de Cidadania do MPLA, Senhora Anabela Dinis, que diz ser sua amiga, senhora esta que faz gala de ser afilhada de casamento do casal presidencial angolano, está a agredir-me e a praticar contra mim actos de violência contra a mulher com assédio verbal hediondo que denuncio, alegando que o faz por causa do casal presidencial e “das suas amigas”.

 

 



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