Lisboa - Confrontos entre rebeldes e forças do Governo angolano terão causado mais de 20 mortos em junho em Cabinda. Ativistas denunciam que militares das Forças Armadas estariam a vitimar civis e a operar em território de países vizinhos, noticia a DW

Fonte: DW

Organizações que defendem a autonomia da província angolana de Cabinda consideram reais os alegados confrontos entre as Forças Armadas Angolanas (FAA) e o braço armado da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC).

 

Segundo relatos de organizações que advogam pela paz e defendem a autonomia da região, confrontos entre soldados angolanos e guerrilheiros intensificaram-se nos últimos dias. As incursões militares atribuídas às FAA terão feito pelo menos 23 mortos em junho, noticia a DW.


O movimento separatista acusa o Governo angolano de evitar o diálogo. No último domingo, dois líderes da União dos Cabindeses para Independência (UCI) foram detidos.


“Ainda não recebemos informações preliminares por parte dos advogados, que foram impedidos de interagir com os detidos. A informação não oficial que temos é que foram detidos por colarem panfletos pelo diálogo para a paz em Cabinda. A colagem de panfletos aconteceu na noite de sábado, e a detenção na manhã de domingo em Bukungoio”, disse o secretário-geral da UCI, Eduardo Matunda, adiantando que a busca por combatentes da FLEC na região tem vitimado cidadãos inocentes.


“Quem vive em Cabinda sabe que se trata de um território muito militarizado. Vive-se um clima de insegurança total. Vemos todos os dias militares com armas de guerra nas ruas e isso intimida a população”, analisa Matunda.

 

Segundo o secretário-geral da UCI, militares do Governo estariam a atacar constantemente áreas do enclave e a operar em território de países vizinhos – como República do Congo e República Democrática do Congo. Matunda garante que tais incursões vitimam inocentes.


“O que acontece aqui em Cabinda é uma situação caótica”, diz o ativista.


O líder do Movimento da Reunificação dos Povos de Cabinda para a sua Soberania (MRPCS), Arão Bula Tempo, confirma o conflito armado no interior da província. O advogado denuncia que algumas vítimas seriam cidadãos dos dois países vizinhos, suspeitos de apoiarem os separatistas.

 



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