Luanda - Sem querer ser a “ovelha negra” tão pouco o “advogado do diabo” e, sem desrespeito a todos (muitos) angolanos que apreciaram o espectáculo proporcionado por estas três figuras que a cada dia que passa, passam o pincel no quadro da História da Musica Angolana. Injusto é a minha classificação a este espectáculo e a todos quanto se alegraram com ele

Fonte: Marimba

Apreciei com muita preocupação este live solidário de domingo 28, num modelo fora do conceito concebido para os shows transmitidos em directo pelo PlatinaLine e pela Televisão Pública de Angola (TPA): O Live no Kubico.

 

A grandiosidade dos artistas, julgo eu, não permitiu o respeito ao padrão definido e que nos habituaram, mesmo que, algumas vezes tenham sido puros improvisos de cenários.

 

Os arranjos, a presença da banda com direito a imagem exibida e a competente exibição da sua performance, a sincronia e a harmonia entre Bonga, Paulo Flores e Yuri da Cunha não poderia resultar numa outra sensação senão a de alegria plena. Uma sensação que por alguns instantes nos roubou a infeliz tristeza que nutre nossa alma nos últimos muitos dias, tendo se agravado com o surgimento da Covid-19. São já 276 casos positivos, 11 óbitos, 93 recuperados e 172 activos. Números que crescem numa velocidade que já começa a preocupar mais ainda.

 

Foi momento de pura nostalgia com o repertório dos artistas a recuar no tempo para nos fazer ver e ouvir no presente “o mar banhar a ilha”, tipo “feitiço” ou “burukutu”.

 

Na tentativa de analisar o contrapeso das outras emissoras, reparei que corojosamente a TV-Zimbo passava um filme com o título “O Poder da Mãe”, não me lembro bem do título por não prestar a devida atenção porque estava atento no “Cambwá”, do Bonga.

 

Se ao menos quiséssemos ser justos nunca devíamos ter juntado 3 poderosas Gerações para nos dar uma única e grande alegria. Que respeitassem pelo menos o live no Kubico do Heavy C e Walter Ananás (que) ninguém (ou)viu.

 

É injusto juntar tantos bons num único bom (momento). A produção do evento gastou todas minhas balas de alegria num só dia. Não sei se ainda terei coragem de “se estranha” com um live daqueles aí que cantam “merda”, nas suas poesias só pousam nudez, estupidez e tanta exibição de uma vida de burguês que nunca tiveram.

 

Que fizessem um live de cada vez. Se cada um isoladamente tem um repertório e uma performance sem igual, já podem ter percebido o “estrago” que foi ter os três.

 

Este espectáculo só pode ser interpretado como uma tamanha injustiça contra quem ama a verdadeira bandeira da música nacional e que queria uma, duas ou três alegrias contínuas neste e noutros domingos a tarde para esquecer as malambas da vida… Uma injustiça que poderá se agravar se doravante as apresentações não estiverem neste standard. Fica agora o injusto desafio de manterem o nível.

*Agostinho Gayeta é um jornalista angolano e Consultor de Informação

 



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