Luanda - Cesária ÉVORA é, sem margem para discussões caóticas, a maior expoente internacional da morna. Em nosso entender, Cesária é e continuará a musa da morna. Ela foi quase sem igual na sua especialidade musical, cantou com alento e fôlego, respirou música e por isso digna do "status" de Rainha da Morna. 

                A Nossa Estima ao Trabalho de Manuel di CANDINHO
Fonte: Club-k.net
Por outro lado, há um nome de destaque na música do pós Independência de Cabo Verde que logra reconhecimento internacional por todo seu trabalho até hoje realizado, visto de forma especial nos palcos do ritmo e da cadência: Manuel di CANDINHO. Pela sua habilidade técnica e multi-instrumental, Manuel di CANDINHO destaca-se por estar a fortalecer musicalmente o seu país em matéria de morna e outros géneros musicais, ajudando o povo cabo-verdiano a coroar-se por sua própria bandeira nos quatro cantos do mundo.

Manuel dos Santos Fernandes Pereira "Manuel di CANDINHO" é um talentoso guitarrista nascido em Cabo Verde em 1963. Começou a tocar guitarra na tenra idade e foi inspirado pelo célebre guitarrista angolano nascido em Malanje, José João Manuel "ZÉ KENO", que também foi o principal protagonista da rica trajectória musical dos Jovens do Prenda, e cujo o legado o músico cabo-verdiano não cansa de elogiar.

Di Candinho estudou no Seminário da Praia, em Cabo Verde. Passou por Portugal onde trabalhou com vários artistas africanos, mas esteve por quase três décadas na Holanda, tocando e ensinando música. Novo, chegou a integrar no seu país o grupo musical "Os Camponeses" e passou anos depois a trabalhar com renomados artistas cabo-verdianos de diferentes gerações até chegar ao posto de guitarrista-chefe e fundador da Orquestra Nacional de Cabo Verde.

De 2011 a 2016 trabalhou em Cabo Verde como director do Núcleo de Música no Ministério da Cultura, e desde 2016 está investido a vereador da cultura na Câmara Municipal de São Domingos.

A Morna aos Olhos dos Holandeses

A convite do embaixador de Cabo Verde na Bélgica, José Filomeno MONTEIRO, que também é músico e um incondicional admirador do talento artístico do seu compatriota- guitarrista, a Família Real Holandesa (o actual monarca, o rei Guilherme ALEXANDRE e sua esposa Máxima Zorreguieta CERRUTI) tomou contacto com a morna através de um concerto de Manuel di CANDINHO, realizado na Holanda em finais de 2018. O evento foi igualmente testemunhado pelo Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos de Almeida FONSECA, bem como diferentes entidades ligadas à vida política e cultural do seu país.

Ainda assim, é a Manuel di CANDINHO que as autoridades de Cabo Verde apostam para apresentar em Bogotá, Colômbia, a morna ao júri que a classificou de património mundial (o veredito final foi adoptado durante a décima quarta reunião anual do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO), num evento que contou a participação de 123 países.

Em 2019, Manuel di CANDINHO esteve no Brasil e manteve encontros com magnificos guitarristas do Belém de Pará e participou de uma palestra com professores e representantes desse Estado, a convite da Universidade Federal, sob liderança do grande músico brasileiro Naldinho Freire. Este músico paraibano chegou a estar em Cabo Verde em 2017 onde apresentou o seu trabalho musical – O concerto: “sem chumbo nos pés”, no mês de Abril, na cidade da Praia, capital do país, e no município do Tarrafal, Ilha de Santiago.

A 5 de Julho de 2020 Cabo Verde assinalou o 45º aniversário da conquista da sua Independência e a nossa estima alude à essência musical de Manuel di CANDINHO, o seu empenho pessoal e artístico, para a consagração da morna como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Sem retirar a excelência dos demais "mornistas" cabo-verdianos, queremos manifestar o nosso apreço ao consagrado Manuel di CANDINHO por ser um Gigante da Morna, um fiel depositário deste género musical de raíz cabo-verdiano.

A morna foi proclamada Património Imaterial Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a 11 de Dezembro de 2019.

Do repertório de di Candinho constam temas como "Djarmay di meu", "Linda", "Tradição" (instrumental), "Si agu mar bira grogo", "Nha bida cu di grilo", "Minino pobre", "Alma e son" (instrumental). O músico tem no mercado dois Long-Play (expressão cuja a abreviação é LP), lançados nos anos 80, um álbum em CD, apresentado nos anos 90 e um outro álbum em CD - instrumental, que saiu em 2003.

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