Luanda - Era uma vez num país chamado Nambia. Não aquela Nambia mencionada pelo President Donald Trump quando dizia que o único país Africano onde o sistema de saúde funciona era a Nambia. O pais nesta crônica é imaginário, semelhante porém ao nosso em termos de localização e contexto histórico.

Fonte: Club-k.net

A Nambia foi colonizada por 500 anos e escravizada por um país que até hoje é o mais atrasado da Europa, chamado Portugal. A Nambia conseguiu sua soberania a quase 45 anos. Esta nação, habitada por um povo humilde, educado, trabalhador, é tão rica, com quase todos os recursos naturais conhecidos no mundo, sendo que o petróleo e os diamantes se tornaram numa maldição ao invés de serem uma benção.

 

Assim dizia um conto local, que quando Deus criava a Nambia, alguém notou a quantidade de riquezas que o país tinha recebido. Este questionou o Criador do porque desta descriminação - ao que o Criador respondeu:” espera até veres o tipo de gente que vou colocar aí”. Assim na Nambia, hoje 99% da população vive numa pobreza absoluta. O povo vive nas favelas, sem energia, água, serviços básicos, desemprego, e criminalidade galopantes. Mas por medo da guarda presidencial, o povo nunca ousou a mobilizar um levantamento público, classificados assim como o povo mais pacato da África.

 

Com a chegada da COVID-19 a Nambia, as coisas ficaram mais ‘complicadas’. O sistema de saúde simplesmente rompeu, havia pânico sobre a possibilidade da transmissão comunitária. Quando a Nambia foi governada pelo segundo presidente depois da independência, por 38 anos, o país havia se tornado em propriedade privada do Presidente, a primeira dama, irmãos e irmãs. Os filhos tinham impérios no pais todo. Uma das filhas, tornou-se a primeira mulher abaixo dos 40 anos, bilionária em África só em vender ovos.

 

Mas como tudo que tem o princípio, tem fim, foi assim que o chefe dos saqueadores, agastado com 38 anos de desgovernação e saque da riqueza do povo da Nambia, passou o barco ao seu escolhido.

 

O seu vigário, o actual Presidente da Nambia, apesar de ter abraçado o slogan “corrigir o que está mal, e melhorar o que está bem”, enfrentou uma situação econômica semelhante à de um piloto que recebe um Boeing 777 para tripular mas sem combustível. O povo clamava por sobrevivência e a uma cesta básica básica. A juventude esta sem asas para voar, o PIB já era projetado a ser negativo um ano antes deste procurar ser reeleito.

 

Se no passado o problema da Nambia era a corrupção endêmica, que retirava todo o dinheiro do país para mãos privadas, hoje a Nambia sinceramente não tem mesmo dinheiro. Os cofres estão vazios, isso porque os preços das commodities estavam muitos baixos nos mercados internacionais. O Rio, a moeda do país, nem valia o papel em que se imprimia. Havia descontentamento generalizado em todo o país. Os assessores do Chefe diziam que era uma questão de tempo até que convulsões sociais ocorram principalmente na capital. Algo precisava ser feito.

 

Foi assim que este líder que já comparou-se com o leader chinês Deng Xiaoping, vendo seu governo impotente e com apenas um ex ministro e por sinal compadre na cadeia como trunfo da campanha contra a corrupção, diante deste paradigma, a narrativa teria que mudar drasticamente. Na verdade à pandemia e a falta de liquidez que a Nambia vivia, exigiam mesmo um posicionamento radical.

 

Assim motivado por medo de perder o controle econômico e político, as eleições de 2022, naquela fria manhã de Julho, o Chefe do Executivo convocou o seu Procurador Geral da República, o Chefe da Secreta, os Ministros da Economia, Finanças, Defesa e Interior para uma reunião restrita e a portas fechadas no Palácio das Maravilhas - sua Residência Oficial - . Ao iniciar a reunião, o Chefe bateu fortemente na mesa e olhando para o seu Procurador Geral disse“: a mais de 3 anos a dirigir os destinos desse país, a vida dos meus compatriotas está a piorar a cada dia, todos ficando cada vez mais pobres, o combate à corrupção não trouxe benefícios quantificáveis para o pais, mas tudo acaba hoje”. Agora olhos fitos no seu chefe da secreta, indagou: quantos nomes tens na lista daqueles que desviaram mais de $ 900 milhões de dólares cada, do erário público do país”? Tenho aqui 45 nomes Chefe, respondeu o chefe da Secreta.

 

Então o Comandante em Chefe, ai mesmo ordenou aos participantes: Amanhã às 4 horas de madrugada, uma operação cirúrgica as residências de todos que constam desta lista, deverá acontecer. Devem ser presos e levados a um dos hotels de 5 estrelas da capital.Todos que estiverem em Nambia, deverão ser conduzidos a esse local. Eu pessoalmente farei o anúncio a Nação tão logo a operação termine amanhã. Eles só terão suas liberdades restituídas tão logo restituam ao Estado da Nambia, 70% do que roubaram ao país”. Aos que se refugiaram para o exterior do país, incluído o antigo Chefe de Estado e sua família. Assim todos têm 15 dias para restituirem 70% do que desviaram. Esgotado o prazo sem restituição, mandados de captura serão emitidos. - Este é o meu novo contrato com a Nambia. Cumpra-se.

 

Passados 45 dias, o país tinha conseguido recuperar mais de $30 billions de dólares. Estás receitas geridas com transparência, com efeito multiplicador, investimento na Agricultura, saúde, educação, criação de empregos, e uma indústria moderna, fizeram com que o crescimento econômico voltasse a dois dígitos novamente, e com uma renda per capita do país umas das mais altas do Mundo.

 

A Nambia finalmente venceu a luta contra a Covid-19 ao erradicar a pobreza e era agora habitada por um povo rico, educado, saudável e acima de tudo, feliz.

( pedimos desculpas a qualquer similaridades ao nosso país, Angola)

 



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