Luanda - O novo coronavírus veio alterar atitudes e comportamentos, esperando-se que venha a melhorar o relacionamento entre as pessoas.

Fonte: Club-k.net

Contudo, está agora associada a ele uma verdadeira paranoia em relação ao uso de máscaras e ao afastamento físico, algumas vezes sem regra e (também) sem importarem as consequências negativas que daí advêm.


É do domínio público que o mais recente coronavírus veio para causar estragos aos sistemas sanitários e às sociedades de todo o mundo. 


Temos mesmo de nos prevenir, para diminuirmos a probabilidade de infecção. E estando infectados, devemos tratar de nos cuidar e de não disseminar o vírus. 
 
As medidas de prevenção são conhecidas por todos: lavagem frequente das mãos e da cara, utilização de máscara facial em locais públicos, distanciamento na via pública e locais públicos, bem como confinamento em casa. 


Deve-se também evitar visitas a familiares e amigos, bem como grandes aglomerados populacionais, incluindo festas e outras celebrações. 


São estas algumas das recomendações das autoridades sanitárias, que devemos cumprir à risca, pois de outro modo corremos maior risco de contaminação ou de contaminar outrem. 
 
Mas aqui gostamos de exagerar. 


Por exemplo, há pessoas que viajam sozinhas nas suas viaturas, com os vidros fechados, de máscara. Até a polícia já exigiu que se agisse assim, tendo chegado a haver pessoas multadas por não estarem a utilizar máscara facial dentro das suas viaturas, com os vidros fechados e sem contacto com mais ninguém… 
Uma verdadeira paranoia. 
 
Outro facto ocorreu comigo, quando fui fazer o teste de covid com a minha filha. Um técnico de saúde embirrou connosco, dizendo que tínhamos de ficar a 2 metros de distância um do outro. 


Disse-lhe que éramos pai e filha e que vivemos juntos, de modo que isso não se justifica. 
Pois a resposta foi: “É essa a ordem que temos e toda a gente tem de cumprir!” 
Limitei-me a abanar a cabeça e a olhar para outro lado. 


Então tínhamos de ficar ali afastados, apenas para o senhor se sentir bem. E logo a seguir caminharíamos abraçados para o carro, onde nos sentaríamos lado a lado… 
 
Não se fala da hipóxia
 
Mas nem tudo se tem dito, lamentavelmente.


Por exemplo, não se tem aconselhado as pessoas a apanhar banhos de Sol diários.


Por outro lado, as pessoas com problemas respiratórios têm dificuldade em manter a máscara facial durante muito tempo, sem renovação do ar que aí fica retido. O mesmo sucede com as pessoas com problemas respiratórios. 


Aliás, circulam mesmo vídeos que comprovam o facto de boa parte das máscaras não permitir a circulação mínima de ar, resultando daí pouco oxigénio para as necessidades normais do ser humano. E há ainda quem aconselhe que se faça exercício físico com máscara facial, imagine-se… 
 
Admira-me o facto de as autoridades sanitárias não fazerem menção aos problemas resultantes da longa utilização de máscara facial. 


O que se sabe é que quem anda muito tempo com máscara facial se arrisca a ter hipóxia. 


O primeiro sintoma é normalmente a dor de cabeça. Mas ocorrem também tonturas, assim como a sensação de falta de ar (devido à enorme concentração de dióxido de carbono). 


A hipóxia (no dicionário aparece escrito “hipoxia”) é a diminuição de oxigénio no sangue. Ocorre quando os tecidos não são adequadamente oxigenados, podendo isso suceder por várias razões. Uma delas é, agora, a utilização constante de máscara facial. 


O coração é forçado a bombear mais sangue, de modo a manter os níveis de oxigénio nos tecidos, resultando daí a redução da quantidade de sangue fornecido aos tecidos periféricos. 


As consequências podem ser danos cerebrais irreversíveis, danos noutros órgãos e, até, a morte. 
 
Na semana passada, contactei sobre este assunto um médico de um hospital público, que deu conta de estar a haver pessoas (sobretudo crianças) a recorrer a unidades sanitárias, devido à hipóxia causada pela longa utilização de máscara. 


Falou-me de casos de crianças com níveis baixíssimos de oxigénio (de 73% a 79%, quando o normal se situa acima dos 95%). 
 
Diz-se às pessoas que devem utilizar máscara – e ponto final! 


Está errado. Para além dos benefícios que daí resultam, é preciso dizer às pessoas que consequências prejudiciais podem advir da utilização de máscara facial durante muito tempo. 


E como devem agir as pessoas com problemas respiratórios. 
 
Como eu tenho dificuldade em manter-me com a máscara durante muito tempo, habituei-me a deixar entrar ar puro sempre que puder. 


Porque a questão tem a ver, não apenas com a prevenção ao coronavírus, mas também não morrermos “da cura” (ou não nos prejudicarmos com “a cura”). 
 
Quanta gente morre de covid?
 
Um amigo chamou-me à atenção para o facto de termos níveis bastante elevados de perdas humanas. 


Fiz os cálculos e comprovei essa realidade. 


É certo que temos poucos testes realizados. Menos ainda, no interior do país. Mas é facto, também, que as mortes que ocorrem no interior não se fazem acompanhar de testes de covid. 
Portanto, vamos olhar apenas para os dados disponíveis (que são utilizados internacionalmente) e reflectir acerca da resposta que está por cá a ser dada à doença associada ao novo coronavírus. 
 
A 1 de Agosto, tínhamos no país 1.164 infectados e 54 óbitos. Resulta daí que tenham morrido até aqui 4,6% dos infectados. 

Trata-se de uma alta taxa de mortalidade do vírus, superior à taxa mundial. 


Em África, dos dados disponíveis a 31 de Julho e 1 de Agosto, nota-se que apenas o Egipto e o Gana têm taxas de mortalidade superiores à de Angola. 


Pelo mundo, com taxas superiores às nossas temos a França, Reino Unido, Itália, México e Espanha. 
 
Os dados a seguir ilustram a taxa de mortalidade por covid, em 14 países seleccionados (dos quais 6 africanos) e no mundo: 
 
França – 16,2% 
Reino Unido – 15,2% 
Itália – 14,2% 
México – 11,0% 
Espanha – 9,6% 
Egipto – 5,1% 
Gana – 4,9% 
Angola – 4,6%
Mundo – 3,9%
Brasil – 3,5% 
Portugal – 3,4% 
EUA – 3,3% 
Nigéria – 2,0% 
África do Sul – 1,6% 
Moçambique – 0,7% 
 
A terminar, gostaria de chamar à atenção para um outro importante indicador, que atesta acerca do grau de preparação dos serviços sanitários para enfrentar a doença: se considerarmos apenas os doentes de covid em estado crítico, qual a percentagem dos que sobrevivem e qual a percentagem dos que perecem?
 
Paulo de Carvalho 
3/8/2020 
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