Luanda - Quando o mundo todo muda, os cidadãos precisam mais de liderança constante - mas é também quando é mais difícil liderar.


Fonte: Club-k.net

“O caminho que escolhemos é longo e com obstáculos”


A rubrica "Quem é Quem" deste portal, escolheu homenagear todos os profissionais do Ministério da Saúde do nosso país e conhecer em pormenores minuciosos esta guerreira por trás do Ministério da Saúde que nas últimas semanas tem sido alvo de muitos elogios e também com complementos críticos constantes sobre a tendência "galopante" de casos positivos do covid-19 nos últimos dias.


Quem é esta Senhora, que ninguém nunca ouviu falar?  E o porquê que foi escolhida para uma das pastas mais difíceis e problemáticas do executivo de João Lourenço que tem como slogan de batalha de "Corrigir o que está mal e melhorar o que está bem"

Bibliografia: 
 
Sílvia Paula Valentim Lutucuta  nasceu na província do Huambo no dia 14 de Junho de 1967. É filha de uma família de classe média do Huambo, Licenciada pela Universidade de Medicina do Huambo com excelência (foi uma das melhores alunas) com apenas 21 anos, recebeu uma bolsa de estudos para especialização em cardiologia na Faculdade de medicina da Universidade de Lisboa que acabou no quadro de honra. Trabalhou na área por alguns anos e foi fazer o doutoramento nos Estados Unidos da América aonde se destacou e ganhou prémios e ofertas de trabalho. Sílvia é médica cardiologista com experiência em Pesquisa e Biologia Molecular e Genética das Doença Cardiovasculares.


Sílvia Lutucuta afirmou em varias ocasiões que foi para medicina porque sempre teve o sonho de salvar vidas, curar as doênças e amenizar as dores. E decidiu seguir cardiologia por razões muito pessoas "após a morte de sua avó".

 
A ministra  sempre viu a medicina como uma profissão e não um estilo de vida. A título de exemplo Silvia acredita que é uma profissão como qualquer outra que possui bons e maus atributos. Muita dedicação e responsabilidade que, por outro lado, inspira uma grande admiração por parte da sociedade. Mas o "status" defende Silvia que nunca lhe impressionou e justificou que tanto o que lhe fascina realmente é a possibilidade de criar um vínculo com as pessoas, a possibilidade de poder conhecer melhor a história daquele indivíduo, tentar desvendar o que  está afligindo, orientá-lo para melhorar a sua qualidade de vida; são tarefas desafiadoras que sempre á motivam a continuar a estudar, e a aprender ainda mais.


Profissionalmente, Sílvia trabalhou em vários hospitais em Lisboa e nos Estados Unidos da América por alguns anos como médica, aonde ganhou muita experiência profissional e de vida. Antes de regressar para Angola, recebeu várias ofertas de trabalho além-fronteiras, mas optou por Angola com o propósito de contribuir para desenvolvimento do país.
 

Politicamente, Sílvia sempre esteve associada em núcleos organizativos angolanos na diáspora - Portugal e USA - ,  e por conseguinte mantendo-se conectada na política nacional cumprindo assim com a promessa que fez a sua avó no leito da sua morte “que seria uma cardiologista para ajudar muitas pessoas em Angola”.
 

Sobre as conquistas alcançadas, Sílvia recebeu alguns prémios em Luanda-Angola em diferentes áreas e assim sendo, fez-se destacar no núcleo do partido em que pertencia e despertou atenção do presidente João Lourenço que a escolheu como Ministra da Saúde.


Logo apôs a sua nomeação, quando as pessoas a perguntavam como ela se sentia com a nomeação e em receber a pasta do ministério mais importante de Angola e completamente rebentado, sem dinheiro e com muita controvérsia?  Transcrevemos na íntegra algumas passagens dos depoimentos que o Club-k teve acesso em vários fóruns nas redes sociais e em conversas que a ministra teve com familiares e amigos:


Instada para falar sobre o presente e futuro do ministério sem rodeios Sílvia sintetizou nos seguintes termos: “Agora aqui estou eu, a estudar, a aprender, a implementar o que aprendi adaptando na realidade angolana e muito feliz! Mas ainda não sei o porquê! Às vezes, o caminho que escolhemos é longo e com obstáculos, mas sempre chegamos ao seu final”.


“Aceitei fazer parte deste governo e a posição de Ministra da Saúde para corrigir alguns erros que ao longo de alguns anos trabalhando na área da saúde pude infelizmente perceber” desabafou a ministra acrescentando que “acredito nas ideias progressivas do presidente, na vontade de melhorar o que esta bem e corrigir o que esta mal, e de ajudar a melhorar a qualidade de vida do povo angolano e estou a trabalhar para o povo e com o povo”.


“Acredito na simplicidade, na governação de terreno e não de escritório, se eu decidi me tornar médica para ser menos cortês a lidar com o paciente; para ser mais compreensiva nas necessidades das pessoas; para me permitir envolver com o problema daquele que procura conforto para um sofrimento; para praticar uma clínica ampliada, ou seja, praticar a medicina de verdade.”


Sobre a sua paixão pela carreira de médica Sílvia, afirmou que “sempre me interessei pela carreira, sempre achei fascinante, tanto a parte do funcionamento do corpo humano, quanto o vínculo que o médico cria com seus pacientes e para mim, a medicina sempre pareceu uma forma de me sentir útil, não interessa o péssimo ou inútil tenha sido o meu dia na vida pessoal, o lado profissional sempre "compensou", já que, se bem feito, o exercício da medicina sempre irá confortar, acalmar ou curar alguém’. Escolhi medicina pois é uma das profissões mais gratificantes que se tem. É uma jornada difícil e pedregosa, todavia, é recompensadora em todos os sentidos. É uma forma de fazer o bem ao próximo e fazer o bem a nós mesmo.

 
A área de saúde sempre me interessou. Cuidar e ser cuidada também! Sempre gostei muito de ir a qualquer consulta médica e sempre admirei o trabalho daqueles que sempre me recebiam tão bem, me ouviam e confortavam minhas angústias.


Ser Ministra da Saúde “me possibilitara ajudar os pacientes, as condições de trabalho dos medicos e as condições da saúde do povo do meu país, ter esta oportunidade é um privilégio”.


“Darei tudo de mim”, garantiu Sílvia Lutucuta justificando a seguir que “tenho consciência que não agradarei a muita gente, que farei muitos inimigos e serei muitas vezes mal interpretada, e varias “fake news” sairão a meu respeito, também irei aprender com os erros, porque nem todos os planos serão perfeitos, mas eu estarei focada no meu objectivo, darei o meu melhor, sei que não melhorarei 100% do que esta errado na nossa saúde, mas se eu fizer a diferença e conseguir melhorar a vida do povo sairei vitoriosa, cada dia, cada passo é uma vitoria para mim”.

 
“Estar envolvida com a saúde e medecina é o que eu amo” defende a ministra e simplificou dizendo que “ é onde eu quero estar, porque é isso que eu me vejo fazendo para o resto da minha vida”.


A pandemia actual constitui o foco e ao mesmo tempo o “grande teste” para a Ministra que iniciou em Março do corrente ano e como resultado o nome de Sílvia Lutucuta tornou-se o nome mais procurado em Angola segundo os links de pesquisa em Angola. Finanças e corrupção temas que dominavam as atenções em Angola passaram para o segundo plano para o governo de João Lourenço. Esta pandemia desafiou praticamente todos os planos de contingência e estratégias de mitigação de riscos que os líderes já imaginaram.


Angola até o mês passado tinha a pandemia controlada e com um total de casos positivos que surpreendeu o mundo e que fora catalogado como um show de eficiência, superando muitos países desenvolvidos e com mais recursos financeiros e quadros.

 

Lamentavelmente, o mês de Agosto trouxe muitos dissabores para Dr. Sílvia e a pior fase da pandemia em Angola com uma cifra crescente melindrosa. Mas independentemente deste deslize o Ministério da Saúde, e todos os seus profissionais estão com um saldo positivo se analisarmos a realidade tecnocientífica do ministério da saúde que segundo críticos e estudos divulgados não tem estruturas básicas.

 

Estatisticamente Angola não esta mal perante o mundo e vem atrás de 15 países do continente africana, mas em percentagem (casos positivos vs população e mortes) estamos na terceira posição depois do Uganda e Tanzania.


Liderança é o que esta por trás do sucesso desta luta contra o COVID 19, esta luta esta na fase crítica, mas esta a ser feita com muita elegância tendo em conta a realidade do sector angolano. Com erros sim, mas com aprendizados e não repetição de erros, isto é o que nos faz estar com a situação de contágio nos níveis que estão.


A pandemia está a tornar-se um teste crítico de stress para a liderança que “infelizmente aqueles que pularam a cerca sanitária” influenciaram neste descontrolo do viris. A Ministra tem passado confiança, estabilidade, compaixão e esperança. Empregando planos de acção claro em resposta ao surto de corona vírus.


É necessário que os empregadores com a ajuda da Comissão Interministerial/ Multissectorial e todos os ministérios competentes sigam a mesma liderança e se mostrem eficientes e gerenciem com sucesso os desafios emergentes.


Sílvia Lutucuta tem cuidadosamente comunicado compartilhado seu optimismo e esperança. Ela tem consciência que trabalhadores, clientes, fornecedores e parceiros precisam saber o que está ser feito para enfrentar os desafios, especialmente à medida que o distanciamento social diminui/aumenta. É por isso que se tem mantido a comunicação diária e em todos os fóruns nas redes sociais em que participa.


Por tudo que aprendemos da Dra Silvia Lutucuta nós acreditamos que ela se foca na ciência da Gallup « Talento » (uma maneira natural de pensar, sentir ou se comportar) x Investimento (tempo gasto na prática e no desenvolvimento de suas habilidades e na construção de sua base de conhecimento) =  Força (a capacidade de fornecer um desempenho quase perfeito consistentemente) a ajudará a cada passo do caminho.


É oportuno salientar que apesar da ampla propagação dos planos de acção,  Dra Silvia como responsável máxima da saúde tem se deparado com críticas e posições opostas a sua administração. A título de exemplo a voz mais sonante é a do presidente do sindicato dos médicos angolanos Adriano Manuel, que denunciou várias irregularidades, registadas no sector da saúde e nunca concordou com os números divulgados no início pelo Ministério da saúde sobre a pandemia e é contra a contratação dos médicos cubanos.  Também existe o Dr. Bernardino que foi director do hospital pediátrico, e os seus associados com posições contrárias a ministra. Todas as opiniões e sugestões são validas, desde que sirvam para unir a família da Saúde nestes dias críticos aonde a “união faz a força”.  É de apontar que Angola é um país democrático e todos têm direito de expressar a sua opinião livre e sem represálias.


A gestão danosa no Ministério da Saúde durante vários anos é também um ponto a ter em consideração sobre as actuais fragilidades existentes neste ministério que tem se deparado com tremendas dificuldades em responder favoravelmente contra doênças regulares e sem mencionar a falta de centros de Hemodiálises estatais, e os que existem foram equipados com fundos do estado e registados em nome do ex-ministro da Saúde segundo dados oficiais divulgados pela PGR.

 

Para à Dr. Silvia Lutucuta o que era um emprego há seis meses atrás,  hoje muitos diriam que se transformou em pesadelo com trabalho que necessita de 24 horas por dia durante os sete dias da semana; para ela é um chamado não só complexo, delicado e súper sensível.



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