Luanda - A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a 30 de Janeiro que, o surto do novo coronavírus é uma pandemia. Por isso, uma emergência de saúde pública mundial.

Fonte: Club-k.net

O reconhecimento internacional da dimensão do vírus, gradualmente começou a representar um enorme risco para a vida social dos países. Forçando as nações a fecharem as fronteiras: terrestres, marítimas e áreas; pior, se restringiu a mobilidade em todo espaço geográfico.


Por causa disso, o distanciamento social e físico passou a ser o novo imperativo da “sã” convivência, entre nós.


Em Angola, os cidadãos e as autoridades acompanharam a princípio a dinâmica pandémica. De longe. Mas, infelizmente não tardou; o país registou a 23 de Março, os três primeiros casos positivos da doença. Tratava-se de angolanos provenientes do exterior.


Diante disso, lamentavelmente, João Lourenço, o Presidente da República foi forçado a restringir a mobilidade económica-social -, 57 dias depois da declaração da OMS. Assim, o Estado angolano viera a declarar o 1º estado de emergência, que entrou em vigor à partir de 27 de Março.


Afinal, ninguém tinha noção clara, o estado de emergência, tratava-se de um novo paradigma social “everyone forced… go home”. Todos forçados a ficarem em casa! Um cenário sem precedentes na história da humanidade moderna. Situação “azeda”. Os instrumentos de regulação económica (fiscal, monetário, cambial…) incapazes de responder o problema – um problema que é sobretudo de saúde pública; ora, não podia ser diferente.


Ainda sobre o decreto, em pronunciamento público na ocasião, o chefe da Nação referiu: (…) “A situação demanda (…) medidas excepcionais de prevenção, de controlo e de contenção de riscos à saúde pública, com vista a evitar, ao máximo possível o alastramento da pandemia e as graves consequências que lhe são associadas”.


Insight económico

Nos dias de hoje, nós estamos a viver em estado de calamidade pública. Onde, as restrições são relativamente “menores”: restaurantes, táxis, autocarros, teatros, cinemas e outras actividades económicas podem ser exercidas com um relativo “alívio”.


Infelizmente, o relativo abrandamento das restrições, não têm sido suficientes para reintegrar a grande força de trabalho activa, actualmente em profundo desespero. Tal como indica dados da Inspecção Geral do Trabalho: um total de 84 empresas suspenderam à partir de Abril à Junho, o vínculo laboral com 4.180 trabalhadores, devido à crise resultante da Covid-19.


Ora, existe um tormento generalizado, por causa da crise, famílias e empresas, particularmente os grupos com poucos recursos. Esses, cuja situação é deplorável, estão a mendigar: por pão, água e por menos. A uma frustração popularizada, porquê, nem se quer o “escape” da sobrevivência, o negócio de rua, tem sido lucrativo” referem diversas pessoas que sobrevivem da “sorte do pássaro”.


Realmente, as famílias que sobrevivem da actividade de rua estão a enfrentar duras e profundas dificuldades, particularmente pelo facto de nem poderem vender todos os dias. Eis que, os mais afectados têm sido os que comercializam produtos rapidamente perecíveis tais como: tomate, cebola peixe, banana e etc. Entre tantos outros, que necessitam vender urgentemente para não “tibar” ou seja, perder o dinheiro.

Perspectiva da COVID-19

As diversas perspectivas de surgimento de uma vacina ou cura, “segura”, sem possíveis danos colaterais, infelizmente, vão além do IIº semestre de 2021. Por isso, há alguma unanimidade social que a pandemia do novo coronavírus veio para fazer morada -, por tempos incertos.


Também, a contar pelo comunicado do dia 01 Agosto de 2020. OMS: (…) “a pandemia do novo coronavírus será provavelmente muito longa”. Declaração dura e complicada! Aqui, deve se reflectir, será que as famílias vão se confinar, cada vez, e cada vez mais?..


Então, a hipótese segundo a qual, o Executivo deve ponderar em abrir integralmente toda actividade económica, nesse caso, “casa”. De maneira, a evitar o aprofundamento da extrema miséria e o desespero galopante, que instala-se todos os dias no seio das famílias.


Porém, entendo que, esse passo deve ser precedido, primeiramente, de um reforço integral das medidas de controlo e protecção, e sobretudo, a contínua mentalização do risco a nossa volta. De outra maneira, vamos morrer pela cura e não pela doença… Por quê, as medidas de confinamento no médio e longo prazo, a olhar pelas nossas diversas debilidades socias, são duramente insustentáveis.


Ainda no quadro actual, hoje, temos a noção clara que a mobilidade é o maior ganho económico-financeira obtido no século XX. Pelo que é verificável, quando avaliamos a restrição desta conquista no peso recessivo do PIB das nações.

Entretanto, aqui, o Executivo deve continuar a tornar e transformar a crise em oportunidade - aumentar a confiança e preferência dos consumidores por produtos locais. E mais, por a vibrar a estrutura de produção e consumo dos angolanos “Made in Angola”. Por quê, depois da pandemia, o mundo será diferente, e muito diferente em vários níveis.


Toda via, aliviar ou suspender o confinamento, deve haver uma estratégia económica-financeira para o pós-confinamento do mundo.



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