Luanda - O Novo Jornal torna público, nesta edição, um esquema fraudulento, antipatriótico e com contornos de esquemas de grupos para lesar o Estado. A 9 de Dezembro de 2019, o Presidente da República, João Lourenço, criou a Comissão Interministerial encarregada de organizar as acções comemorativas dos 45 anos da Independência Nacional. Tudo isso ainda antes da Covid -19 e com o objectivo de se assinalar com nível, rigor, qualidade e organização a tão importante data. Os projectos, as ideias e as iniciativas são sempre exequíveis, praticáveis, aplicáveis e justas quando ainda estão no papel, sendo a fase mais delicada a da sua aplicação, quando o "piteú" está disponível para alimentar grupos "famintos" em se "deliciar" com fartura. Definem-se estratégias, articulam-se os esquemas e montam-se os grupos, para que o "bolo" alimente todos.

Fonte: NJ

O Estado, via Ministério da Cultura, através de uma Comissão de Avaliação, decide contratar a empresa Karga Eventos, criada em Outubro de 2019 (três meses antes do lançamento do concurso) e atribuir-lhe o contrato de " prestação de serviços de gravação da versão da letra e música do videoclipe e a campanha promocional e merchandansing do hino do 45.º aniversário da Independência Nacional", sendo que a empresa concorre apresentando um valor inferior do que os das duas outras concorrentes, havendo depois uma alteração considerável do valor após ter sido declarada vencedora. Contratação aprovada a 02 de Março último pela então titular da pasta da Cultura e esquema montado para funcionar conforme programado, só que surge um "volte-face": O Titular do Poder Executivo decide fazer fusões entre ministérios e nomear novos titulares ao seu Executivo. A Cultura passa a coabitar com o Turismo e o Ambiente, é nomeada uma nova ministra e a antiga titular é "despromovida" para o cargo de secretária de Estado. Nova gestão, novos métodos, mais rigor, lisura e transparência.


Com base nos documentos a que o Novo Jornal teve acesso, a nova titular da Cultura percebeu que tal dossier era uma "karga" muito pesada, muito "big" para carregar e que teria de aliviar os ombros. Cancelam-se pagamentos, analisam-se e reavaliam-se contratos, solicitam-se as estruturas superiores, autorização para a melhoria da composição e cancelamento da promoção do hino nos órgãos de comunicação social. Começa aí o martírio e travessia no deserto da Karga Eventos.


A Covid-19 limitou grande parte das actividades alusivas aos 45 anos da Independência Nacional, sendo o hino um dos elementos com destaque para a promoção e divulgação de tão importante data para Angola e os angolanos. Um dos grandes problemas de alguns dos altos responsáveis ou governantes angolanos é a ausência de sentido de Estado, a falta de patriotismo, cultura de compromisso com a Pátria e com os cidadãos. É um grave problema ético e moral, é um problema de responsabilidade e de responsabilização, em que se olha para toda e qualquer actividade, todo e qualquer evento, todo e qualquer programa como uma oportunidade para se colocar uns bons trocados no bolso. Há mínimos éticos e não pode valer tudo.


A Independência Nacional custou a alcançar, perderam-se vidas e houve muitos sacrifícios. A manutenção da independência, a defesa da soberania e a integridade territorial exigiram muito esforço e empenho, portanto, não se pode usar a independência ou em seu nome se estar a procurar encher certos bolsos. Precisamos de ser levados a sério, precisamos de ter gente comprometida com a Pátria e com as causas.


É em nome do interesse público e da nobre missão de informar que o Novo Jornal revela os documentos a que teve acesso. O jornalismo livre, isento, objectivo, feito com rigor e verdade é fundamental para a afirmação da democracia. É em momentos da crise que o bom jornalismo se afirma, é nestes momentos que a sociedade espera do Jornalismo e dos jornalistas uma postura ética, deontológica e profissional. É nestes momentos que o Jornalismo não deve ceder às pressões dos poderes políticos, económicos e de grupos. É nestes momentos que nos devemos empenhar em fazer aquilo que sabemos e gostamos de fazer: Jornalismo! É um sacerdócio, é uma "carga pesada" que carregamos com muita honra, prazer e dignidade.

 



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