Luanda - Uma publicação sobre a discriminação dos quadros hungus, no Kwanza Norte, que se encontra no sítio de AM, no facebok, está a provocar inflamado debate ao despertar um assunto há muito discutido em silêncio, por muitos dos membros desta etnia, maioritários nos municípios de Bolongongo, Banga e Kikulungu, tendo elevada concentração popular em Lucala, na sede da provincial e em Ambaca.

Fonte: Club-k.net

Os comentadores apontam que o problema de espécie de “segregação étnica” teria sido atenuado no então consulado de Manuel Pedro Pacavira que ousou equilibrar a origem dos quadros durante o seu longo consulado de 1991 a 2004, entretanto devolvido a primeira forma tão logo que Daniel António assumiu a direcção do partido MPLA e encetar o saneamento destes em todos os domínios do dirigismo da província.

Nos comentários de LV, Daniel António, ao assumir o comando de primeiro secretário provincial do MPLA (2005 a 2009) intentou um combate cerrado contra todos quantos julgava pertencerem a etnia Hungu, tendo-os perseguido e despojado dos cargos que ocupavam. Freitas Domingos, então delegado das finanças, Miguel Caxino, ex Vice-governador, Geraldo Malungu Belengue, então administrador de Ambaca, terra natal do mesmo, são exemplos frequentemente citados.

É atribuído ao actual principal mentor e conselheiro de Maria Inácio Jerónimo, a segundo secretária provincial do mesmo partido, uma aversão aos Ki hungu com a justificação de que teria sido escravizado nas fazendas de café das pessoas ligadas a esta etnia, na época colonial e que agora se quer vingar, ainda se lê nos comentários dos internautas ao posters de AM.

Tirando as eleições de 1992, o MPLA sempre teve maiorias eleitorais entre as comunidades hungu da província, facto que muitos comentadores agora apelam à viragem do voto ou a abstenção generalizadas.

“Não podemos continuar a votar por um partido que visivelmente não gosta dos quadros de um certo grupo étnico”, disse um internauta, sendo-lhe sucedido por outro que se interroga antes de apelar: “É preciso consciencializar o nosso povo para mudar o sentido de voto nas próximas eleições. Por quê confiar o nosso voto a um grupo de homens que se recusa trabalhar com os nossos quadros só pelo simples mal de pertencerem a uma etnia diferente à deles?”.

Um comentador, KP, aparentemente adulto e que teria trabalhado com Manuel Pedro Pacavira lembra nos seus comentários que, ele foi bastante agregador, astuto e que se tivesse a sorte de dirigir nesta altura “provavelmente o Kwanza Norte seria um grande modelo de inclusão”, que os seus sucessores Henrique André Júnior e principalmente José Maria Ferraz dos Santos, que se deixaram ludibriar pelo grupo de Daniel António e Maria Inácio Jerónimo que pretendiam saciar os seus desejos.

Um outro lembrou que até antes da saída de Pacavira os hungus estavam muito bem representados em todas as estruturas do partido e do governo. “Hoje nenhum hungu faz parte destas estruturas”, numa saga iniciada em 2005 e consolidada no conclave de José Maria Ferraz dos Santos, concluiu.

"Nos dias que correm mesmo estudares muito, seres competente, dedicado às tarefas do seu trabalho ou do partido MPLA, sempre será subordinado do seu colega mesmo sendo este incompetente, estudado muito ou desinteressado no trabalho ou no partido", diz um comentador, sendo-lhe seguido por um outro que indica a existência de muitos bons quadros até aos níveis de mestres e doutores que para singrarem "são obrigados a fugirem da província".

Um outro apela a atenção do presidente do MPLA para o perigo que o partido pode correr com a contínua exclusão dos quadros hungus. para ele ele isso pode despertar e entusiasmar os votantes para outra esfera, já como diz as pessoas a pouco e pouco vão tendo a noção de que o voto é secreto, não importando a camisola.

“A esperança do fim desta segregação étnica era suposto que se vislumbrasse com a chegada de Adriano Mendes de Carvalho, entretanto “rapidamente compreendemos que este, nada faria por que tão cedo, vimos que deixou-se integrar no grupo montado pelo seu antecessor do qual obedece tudo o que lhe indicam”, refere AS.

O grupo étnico e linguístico hungu se concentra maioritariamente ao longo dos dois lados do rio Ndanji, povoando também os municípios do Puri, Negaje, Kitexi, Uíje, assim como parte do Bungu e Songo, na província do Uiji.

É caso para dizer que o assunto entregue quente, deverá merecer a astúcia e perspicácia por parte do Governador, Adriano Mendes de Carvalho, a braços com uma onda de contestação por causa do modelo monótono aplicado na gestão da província, obstrução dos empreiteiros locais assim como pelas suas andanças pela província sem que chegasse ao mínimo na dinâmica do seu antecessor, José Maria.

 



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