Lisboa -  Martinho Nombo, advogado de Raul Tati afirmou, esta segunda-feira, que o antigo vigário-geral da diocese de Cabinda foi preso «apenas por ter uma opinião». Em declarações à TSF, o advogado revelou que não sabe até quando estará em liberdade.


*Nuno Amaral
Fonte: TSF


A detenção de Martinho Nombo já foi várias vezes dada como segura. O advogado sublinhou que «não é criminoso», mas admitiu que, perante as últimas acções das autoridades angolanas em Cabinda, tudo pode acontecer.


«Ainda estou em liberdade, uma liberdade tremida. Não sei se é a última vez que falo para a TSF, mas enfim, cá estou, e vou aguardando tudo aquilo que me possa acontecer», afirmou Martinho Nombo.


«Não sou criminoso, tenho a minha consciência limpa, sou pessoa, tenho direito a uma opinião, de modo que, se isto for crime, estou cá para suportar», acrescentou.


Para além da detenção do padre Raul Tati, este fim-de-semana foi também preso o advogado e activista dos direitos humanos Francisco Luemba, sob acusação de crime contra o Estado.


Francisco Luemba contou à TSF quando estava ainda em liberdade, que já receava a detenção.


«Tenho esse receio porque já fui alertado por pessoas que têm acesso a determinadas informações. Confidências ou inconfidências, já fui alertado de que é só uma questão de tempo, mas que certamente serei detido», admitiu o professor universitário em declarações à TSF.


Francisco Luemba é autor do livro «O Problema de Cabinda». De acordo com Martinho Nombo, o escritor foi preso porque «ter uma visão diferente já constitui um crime».


«O Dr. Luemba é do Centro Universitário, é um distinto advogado, um ilustre colega e amigo, que publicou há cerca de dois anos, em Lisboa, uma obra. Ele faz uma análise à luz do Direito Internacional da situação de Cabinda e, infelizmente, ter uma visão diferente já constitui um crime», sublinhou.


No passado dia 8 de Janeiro, independentistas atacaram uma coluna militar angolana, que enquadrava o autocarro da selecção do Togo, provocando três mortos, dois cidadãos togoleses que integravam a comitiva, e o motorista, de nacionalidade angolana.


O ataque foi reivindicado primeiro pelas Forças de Libertação do Enclave de Cabinda - Posição Militar (FLEC-PM), de Rodrigues Mingas, e, depois, pela ala militar da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), mas a ala política, liderada por N'Zita Tiago, desmentiu qualquer envolvimento.



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