Joanesburgo - Quando aderiu a guerrilha da UNITA, contava com o 3º ano do curso geral de eletricidade na Escola Industrial Gago Coutinho, uma valência, que levou o então Secretário-geral, Miguel Nzau Puna, a seleciona-lo para integrar o grupo de guerrilheiros que em 1976 foi despachado para uma formação em telecomunicações militares, na localidade do Delta/Namíbia. Integrou durante vários anos o gabinete das transmissões do Presidente da UNITA, e de lá saiu ao perder os rastos de Savimbi, quando a coluna presidencial sobre um ataque em Dezembro de 2001, nas matas do Moxico.

Fonte: Club-k.net

Mário Silvéiro Chingando “Xinga”, contava 17 primaveras quando, em 1976 juntou-se a um grupo de guerrilheiros da UNITA no município do Balombo, na Província de Benguela que fugia do clima instável que se instalara em Luanda e Cuanza Sul. Com o nível de estudos que tinha, a meta estabelecida era concluir os estudos no exterior por isso não hesitou em seguir a caravana de guerrilheiros rumo ao Bié onde estava á direção da UNITA.


Chegados ao destino foi integrados num grupo de cadetes que recebeu treinos no campo de instrução do Chimbozongo, e logo a seguir foi despachado para o sul do país, concretamente em Mavinga, onde se encontrava o então “numero dois” da guerrilha, Miguel Nzau Puna que o escolhe para frequentar os cursos militares e de telecomunicações na faixa do Caprivi, ao norte da Namíbia. Estava-se em 1979.


No inicio do ano seguinte, já formado, e com a patente de aspirante, foi colocado a cuidar das telecomunicações de uma caravana composta por Miguel Nzau Puna, Isaías Samakuva e o major Eugenio Manuvakola que seguiu para a base de logística da guerrilha da UNITA, no Rundo, Namíbia. Esteve ao serviço das forças armadas por três anos até ser transferido para trabalhar nas telecomunicações do “cordão”, o nome a que se chamava ao perímetro que formava as estruturas do gabinete de Jonas Savimbi, na Jamba.


Integrado no gabinete presidencial, Mário Chingando “Xinga”, foi sujeito a inúmeras formações militares tanto em Angola como no estrangeiro, mas é como perito das telecomunicações do alto comandante, que esteve presente nas ofensivas do Cuito Cuanavale, Mavinga, Cuemba, Munhango, Calapo, e Kazombo. Também esteve presente nas conversações de Gbadolite, entre a partes em conflito em Angola.


Com os acordos de paz de 1992, viajou a Luanda, instalando-se na residência de Jonas Savimbi no bairro miramar, dai que até pouco tempo os seus colegas também o apelidavam por “o operador do miramar”, por ter sido o tenente-coronel de então que ajudava a cuidar das telecomunicações do líder da UNITA. A sua designação formal era de chefe adjunto da divisão das transmissões do Alto Comandante que na verdade tinha como titular um general treinado em inteligência na Alemanha, Barbosa Antunes Epalanga "Bosa" e mais tarde outros como os já falecidos, Joaquim Fumanguenji “Fuma”, e brigadeiro “Mualupasa”.


O coronel “Xinga”, conforme era tratado, não fez parte do grupo restrito que retirou-se de Luanda junto com Jonas Savimbi, na primeira semana de Outubro de 1992. Ficou na capital do país, mas depois dos confrontos militares que resultou na decapitação da direção da UNITA, fugiu para a cidade de Caxito, que estava tomada por um general das FALA, Galiano da Silva e Sousa «Bula Matadi». Ficou ai até receber luz verde para ir a cidade do Huambo, que estava também tomada pelas forças de Savimbi.


Instalado que estava no Huambo, o coronel Mário Chingando “Xinga”, recebeu a missão de acompanhar por alguns meses uma delegação que viajou a Zâmbia para discutir o conteúdo do “protocolo de Lusaka”, assinado pelo governo de Angola e “Galo Negro”, a 20 de Novembro de 1994. A sua tarefa era de assegurar as comunicações entre a delegação chefiada por Manuvakola e Jonas Savimbi que estavam em permanente consultas. No regresso ao Huambo, retomou as suas funções de chefe adjunto das telecomunicações do gabinete presidencial e promovido a coronel. Ficou ao lado de Savimbi, até ter perdido os rastos deste quando a “coluna presidencial” é atacada a 17 de Dezembro de 2001, nas matas do Moxico, precisamente no dia em que Luanda declara os três cenários para por fim ao conflito armado: “Rendição de Savimbi, captura ou morte em combate”.


Andou disperso nas matas, até aparecer nas cidades. Porém, foi depois da morte de Jonas Savimbi, ou do fim do conflito armado que foi o coronel Mário Chingando “Xinga”, foi integrado no grupo técnico central para o aquartelamento dos guerrilheiros da UNITA, e depois de quatro meses integrou as FAA, onde foi nomeado para as funções de Chefe adjunto da divisão de apoio social do Estado Maior General.


No ano de 2003, foi promovido a inspetor-Chefe da direção dos serviços penitenciários do EMG, cargo que exerceu até ter passado a reforma muito recentemente. Foi ao regressar das matas que ingressou na Universidade Agostinho Neto para cursar sociologia, para além, de ter feito sob a pala das FAA, uma formação de inspeção e administração penitenciaria.

De acordo com fontes próximas, na tarde de sábado, 26 de Setembro, o coronel “Xinga” foi descansar depois do almoço e não mais acordou. Ou seja, os familiares deram pela sua falta e por volta das 20h, o coronel que durante duas décadas cuidou das telecomunicações de Jonas Savimbi, foi encontrado, sem vida, em sua residência, em Luanda.



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