Luanda - Maria Antonia Jacinto Sebastião, natural de Luanda, nascida a 21 de Junho de 1960, divorciada é filha primogénita de Jacinto Sebastião João e Vitória Joaquim.

Fonte: Club-k.net

Em 1961, após o início da luta armada de libertação nacional, torna-se órfã de pai, fruto da repressão colonial em perseguição dos nacionalistas do 4 de fevereiro. Esta situação ocasiona o refúgio, com sua mãe viúva, para a cidade de Moçâmedes tendo sido perfilhada, aos 3 anos de idade, por António da Cruz Lima Júnior, que se casou com sua jovem mãe viúva do 4 de Fevereiro, Vitória Joaquim Lima.


Naquela cidade fez os seus estudos primários, tendo completado o ensino secundário no Liceu Barão de Moçâmedes, seguindo-se o Liceu Salvador Correia e a Universidade Agostinho Neto, onde completou a Licenciatura em Medicina.


Começou o seu percurso profissional em 1979, ainda como estudante, na Rádio Nacional de Angola, onde emprestou a sua exímia voz e dicção a vários programa da daquela emissora, com um brilhantismo que a catapultou para locutora dos Noticiários da novel Televisão Popular de Angola, actual TPA, onde actuou como Apresentadora do Noticiário Principal.


Na sua trajetória profissional regista-se o trabalho desenvolvido durante 4 anos na Agência Italiana de Petróleos, AGIP, desenvolvendo apoio administrativo e tradução, dada a sua habilidade com as questões linguísticas.


No culminar da sua formação académica e no esforço patriótico de defesa da pátria, ingressa nos Serviços Assistência Médica Militar adstritos à Direção de Logística do Estado Maior General das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, FAPLA, onde desenvolve a actividade de médica policlínica no Hospital Militar Principal, durante os períodos mais intensos do conflito armado após 1992.


Seguidamente, na República Francesa, obtém com sucesso, na Universidade de Lyon, a especialidade em Doenças Tropicais.


Em 1999 parte para Portugal, no âmbito da especialização de quadros médicos militares da República de Angola na República Portuguesa, tendo feito o internato de especialidade em Neurologia e exercido prática médica de especialização no prestigiado Hospital São João na cidade do Porto, por um período de formação alargada de 10 anos, ação integrada na constituição da Divisão de Saúde das Forças Armadas Angolanas, FAA.


No seu regresso ao país, e com a conversão do Hospital Militar Principal em Instituto Superior, a Coronel Maria Antónia Jacinto Sebastião dirige a Sub-Unidade Departamento de Neurologia com a função de Chefe desse Departamento integrando o corpo docente do Instituto Superior Técnico Militar como regente da cadeira de Neurologia.


Como membro do Colégio de Neurologia da Ordem dos Médicos de Angola, a Coronel Maria Antónia Jacinto Sebastião era Membro Fundador da Sociedade Angolana de Neurologia por acreditar na investigação científica e na proficiência de um ensino de qualidade e de prática médica com brio e profissionalismo.
Reconhecida pelos seus colegas de profissão pelo seu carisma, irreverência e expansiva solidariedade, liderava no seu exemplo de disponibilidade para o trabalho, amor ao próximo, apoio ao doente neurológico e ajuda sanitária comunal aos vários necessitados que a solicitavam.


Esse dom, desenvolvido pela prática evangélica que também acumulava na Igreja Metodista Unida, pode ser testemunhado por variadíssimos pacientes, profissionais e responsáveis do Hospital Militar Principal, da Clínica do Alvalade, da Clínica Sagrada Esperança e da Clínica da Força Aérea, locais onde exerceu com excelência a sua habilidade profissional, pedagógica e solidária.


DIstingue-se na malograda a forte veia formativa e educadora, sendo participante activa na formação intelectual de todos os seis irmãos, tal como dos três filhos todos maiores e nove netos que deixa e que partilharam consigo todos esses anos de ensinamento carinho e amor.


A família enlutada agradece à todos aqueles que transmitiram os seus sentimentos de pesar e que, apesar dos novos protocolos de distanciamento social, puderam confortar a família neste prelúdio de dor e extrema consternação.

Luanda 6 de Outubro de 2020.



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