Luanda - Para essa narrativa, vamos trazer um quadro comparativo de como os partidos MPLA e UNITA têm reagido quando os conflitos internos abalam as suas estruturas e resvalam para a praça pública.

Fonte: Club-k.net

É notório, seja MPLA ou a UNITA, não raro usarem quase os mesmos métodos de resolução de conflitos, que são a retaliação, perseguição, palavras como "esse não é dos nossos", etc.

Quem contesta na UNITA é rotulado como estando a ser usado pelo sistema, e quem contesta no MPLA é considerado como Kwatcha.

O déficit de comunicação e a pouca abertura para o diálogo alargado internamente têm sido causas de conflitos latentes e declarados no seio seio desses partidos, cujas vivências do passado parece terem marcado significativamente as suas maneiras de ser e estar nos dias que correm.

Por causas disso, a UNITA vai conhecendo ultimamente conflitos antes incubados, por ter uma liderança com ar de vencedor, mesmo triunfalista, sem capacidade de congregar todos e/ou edificar sobre a coesão outrora existente, que chega até a marginalizar muitos dos melhores quadros da organização pelo simples facto de terem apoiado aos candidatos derrotados no 13⁰ Congresso.

É verdade que o MPLA vive problemas maiores, mas parece que os conflitos que envolvem os militantes de proa, mormente dirigentes, não resultam em implosão por conta de ameaças e algumas recompensas, mostrando ilusoriamente que o partido gere os seus conflitos da melhor maneira. Ou seja, se as causas dos conflitos forem por benesses e posições governamentais, a sua solução passa também pela distribuição dos mesmos aos ofendidos ou reclamantes.

A UNITA não pode continuar a vitimizar-se constantemente como sendo o partido perseguido, desconfiando de tudo e de todos, quando os conflitos existem, como acontece em todas organizações no mundo.

O MPLA e a UNITA devem aceitar as contendas internas, como próprias de espaços em que convivem seres humanos, e desenvolver competências para discutir sobre eles internamente, como entre irmãos, e não digladiarem-se sistematicamente.

É dialogando, ouvindo com empatia as razões uns dos outros, que se encontrarão os caminhos para as soluções mais satisfatórias para as partes em conflitos; afinal, os conflitos podem ser oportunidades para o crescimento, se subermos aproveitar como despertador de valências.

O que leva um partido político ao desmoronamento são os conflitos mal resolvidos internamente.

Se os quadros estiverem desavindos, o oportunista externo terá vida facilitada.

É um erro crasso tentar fazer passar sempre a ideia de que o partido goza da maior harmonia e recomenda-se, quando padece de males que têm de ser sanados por via do diálogo aberto e inclusivo.

As "fack News", que resultam nos frequentes desmentidos, são potenciados pela falta de diálogo permanente.

Os conflitos devem ser aproveitados para ajudar iniciar abrir discussões sobre os assuntos que afligem os partidos, pois têm o condão de libertar emoções que haviam sido recalcadas e melhorar a comunicação entre os militantes e dirigentes.

Por: Horácio Nsimba_ Especialista em Relações Internacionais

 



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