Luanda - Conta certa fábula que os ratos, cansados da permanência no topo da cadeia alimentar dos gatos, resolveram realizar uma assembleia para deixarem de ser caçados. A solução, sugerida por um dos participantes, foi a de colocarem um laço com um sino à volta do pescoço do gato. A aproximação do predador seria, daquele modo, denunciada pelo badalar do sino o que facilitaria a fuga aos ratos. A solução foi efusivamente aplaudida mas até hoje nenhum voluntário se ofereceu para pendurar o sino no pescoço do gato.

Fonte: Club-k.net

Salvando-se as devidas diferenças, havia um sorvedor de dinheiros públicos há muito identificado mas nunca atacado. Faltava coragem. Conhecido por todos, esse sorvedor vivia tranquilamente escondido na pesada estrutura que era a Sonangol de um passado muito recente. Uma estrutura obesa, caríssima e com eficácia para inibir qualquer iniciativa que visasse derruba-la.


Mas a determinada altura, começou-se a falar em reestruturação, que mais não era senão a coragem e determinação de extirpar o monstro em forma de uma Sonangol tentacular com ramificações em excessivas áreas fora do seu objecto social.


Alternaram-se as administrações sem que a pretendida reestruturação se efectivasse e sem que nada parecesse capaz de estancar a sangria de dinheiros públicos de que se alimentava uma estrutura cada vez mais pesada, menos lucrativa, com montes de unidades a mamarem da mesma teta, algumas delas com anos consecutivos de balanços negativos.


Obviamente não era pequena a confraria dos que teciam estratégias de manutenção do que para eles era um pernicioso estado de arte.


E eis que, finalmente, a palavra regeneração começou a ecoar com cada vez mais frequência e a consolidar-se. Montaram-se equipas de trabalho ante os olhares cépticos de públicos internos e externas. Havia alguma dúvida em perceber que se tinha erguido uma equipa com coragem para pôr o sino no pescoço do gato.

E a reestruturação foi realizada.


Houve determinação e arrojo para emagrecer a estrutura de 18 subsidiárias para 6 Unidades de Negócio; ousadia para se desfazer de participações não core dentro e fora do país; frontalidade para passar de 21 diretores corporativos para 12; destemor para dizer a muita gente que a realidade era outra, que a Sonangol estava finalmente mais magra e virada essencialmente para o objectivo para o qual foi criado: pesquisar e explorar petróleo.


A questão é: por que razão há sempre retórica para se invocar os vícios do passado e nunca para reconhecer o engenho e denodo dos que fazem história ao concretizar a tão perseguida e necessária reestruturação? Não é vergonha fazer vénia aos que assumiram todas as consequências, a nível pessoal e profissional, para iniciar o resgate da real reputação da maior empresa do país.


Não devia haver acanhamento em enaltecer os feitos dos que, com a actual e velha refinaria, vêm reduzindo as quantidades de combustível importado.


Não existindo qualquer decreto a impor que as imperfeições do passado tenham que, necessariamente, ofuscar os méritos do presente, façamos, nem que seja tímida, uma vénia .
Bem haja e um aplauso aos ousados.

Por Isidro Josué Varela

 



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