Luanda - Das grandes participações de operações militares com sua Excelência General Comandante Demóstenes Amós Chilingutila, no Sessa áreas do Lumbala Nguimbo, Kangamba e Rivungu na Frente Estamos a Voltar, tenho a realçar a tomada de decisão que nos valeu a Victória na batalha de Kangamba.

Fonte: Club-k.net

A posição tinha dois pontos, ou seja, margem direita e esquerda do rio Kubangui ocupadas. As unidades envolvidas 66 (Wilson), 333 Tarzan), 111 (Kakande) , 415 (Sete), 275 (Epipili) e 75 (Bunji). Posso ter falhado nos nomes dos comandantes.


No Comando General Demóstenes, Cmdte do teatro operacional, Pessoal (Américo Cinco Reis), Artilharia (Major Bumba) com apoio de um grupo de artilharia sob responsabilidade de Américo Paulo Gato, Logístico ( Domingos), SIMI (Kalipi), TRMS Sopite e Chico (vermelhinho).


Foram contabilizados 11 dias de renhidos combates de conquista palmo a palmo até colocarmos as FAPLA no perímetro de 200 Metros quadrados. No dia 2 de agosto de 1983 iniciava o ataque a posição de Kangamba pelas 4h00 da manhã com o fogo da artilharia de campanha sob cmdo do Major Bumba. Pensávamos que não levaria tempo pois as unidades envolvidas e o potencial bélico era suficiente para desalojar as FAPLA. A victória seria uma prenda para o dia 3 de Agosto data natalícia do Alto Cmdte. Mas não foi o que aconteceu tivemos de continuar e de 2 de agosto fomos até dia 12. Depois de tanta pressão as FAPLA ficaram com apenas uma saída, ou seja, parte norte da vila e foi nesta abertura que os Cubanos aproveitaram para sua evacuação. Havia dificuldades na conquista de espaço e sua Excelência General Demóstenes ordenou o Cmdte Tarzan para concentrar fogo no ponto limite da trincheira com o rio kubangui e introduzir o 1º pelotão do 333 e assim foi. A partir dali todas as unidades alinhadas no bordo dianteiro ocuparam as trincheiras e simultaneamente, desalojaram as FAPLA posicionadas na defesa da posição a sul e sudeste de kangamba. Esta foi uma das grandes decisões tomadas pelo General Cmdte Demostenes Amós Chilingutila.


As FALA possuíam um altíssimo sistema de transmissão e telecomunicações militares (TRMS) e de intercepção de toda comunicação das FAPLA por intermédio da Divisão de Guerra Electrónica (DINGE) e no dia 8 de Agosto interceptou-se uma comunicação do posto comado das FAPLA ordenando o movimento das forças da 32ª brigada para kangamba como socorro Hélio transportadas e coloca-las a nossa rectaguarda, onde, mais uma vez sua Excelência tomou uma decisão importante:


1. Comunicar ao Alto Comandante das FALA (A/Cmdte) a nossa retirada dos 200 metros para 2 km permitindo assim que a força de socorro a Kangamba entrasse. Sem resposta do A/Cmdte o Cmdte da operação decidiu;


2. Postos a 2 km naquela noite liguei o rádio das TRMS para dar o ponto da situação. Recebemos a seguinte ordem: “Quem vos mandou sair dos 200 mts. Regressem mesmo agora e retomem as posições anteriores”;


3. O cabo de guerra não hesitou e ordenou as suas tropas e pelo tempo feito as FAPLA acharam que as FALA não voltariam tão cedo a retomar as posições abandonadas naquela noite, assim relaxaram. Depois de 5 horas de marcha de regresso onde haviamos feito 1h30 de marcha porque estávamos a voltar em marcha de progressão, retomamos as trincheiras por volta das três horas da madrugada, ao amanhecer já nas trincheiras tivemos um choque quando as FAPLA pretendiam ir ao rio buscar água voltaram para os abrigos e mantivemos o ímpeto do fogo permitindo que a aviação sul africana com dois Buccaneers, com duas bombas cada e dessem o golpe final na manhã de 12 de agosto de 1983 pelas 10h00. Terminou assim a batalha de kangamba. Resumo se o General não toma a decisão de pressionar no ponto e criar-se rotura, as FALA não teriam como sufocar as FAPLA para os 200 mts e não haveria espaço de manobra para retirada. E a não retirada criaria para as FALA sérios problemas.


Se se aguardasse pela resposta do A/cmdte as FALA seriam empurradas para o campo de minas plantado pelas FAPLA para a defesa de suas linhas e seria uma tragédia. Era assim que o Cabo de Guerra decidia no comando das tropas, no terreno tático operacional demonstrando ter tido grande inteligência na conjugação de todos os factores de Comando, operacionais, políticos e na relação com os soldados e oficiais.


Todo este enredo representou uma má fase da história política e militar de Angola em que irmãos tiveram de estar em trincheiras diferentes. Hoje irmanados devemos continuar a utilizar esta energia e inteligência para a formação dos soldados e oficiais da paz e tornarmos Angola na pátria forte e desenvolvida.

Relato de quem participou directamente nos teatros operacionais sob Comando do General dos Generais Demóstenes Amós Chilingutila.


Subscrevo-me,

Domingos Sopite na altura Capitão chefe das TRMS da Frente Estamos a voltar.
Luanda, 27.01.2021.

 



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