Luanda - O bispo católico da Lunda Norte, Angola, lamentou hoje a morte de manifestantes na localidade de Cafunfo e criticou a violência, mas recordou que o protesto tem raízes em problemas profundos por resolver.

Fonte: Lusa

"Claramente que é preocupante, quando há perdas de vidas humanas nos preocupa e lamentamos, mas a questão fundamental não é esta, está é simplesmente uma manifestação de uma realidade mais profunda", afirmou hoje Estanislau Marques Chindekasse, em declarações à Lusa.

 

A Lunda Norte é uma zona de grande implantação das autoridades tradicionais e tem existido uma tensão permanente entre estas e o poder central de Luanda.

 

A polícia angolana contabiliza seis mortes e vários feridos, entre eles efetivos das forças da ordem e de segurança, resultantes de um alegado ato de rebelião atribuído ao Movimento do Protetorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT), que na madrugada de sábado passado tentaram invadir uma esquadra policial de Cafunfo.

 

Hoje, o bispo católico que tutela a região defendeu o "diálogo como princípio fundamental" para a resolução dos problemas, referindo que depois do 04 de abril de 2002 (Dia da Paz e Reconciliação em Angola) "nenhum angolano mais iria morrer por causa das ideias que tem".

Segundo Estanislau Marques Chindekasse, a questão daquela região do leste de Angola "é muito mais complexa" e uma manifestação "não se resolve com violência nem de uma parte nem da outra".

O MPPLT contraria a versão policial e o seu presidente disse, no sábado à Lusa, que as forças angolanas dispararam indiscriminadamente contra manifestantes desarmados, provocando 15 mortos e dez feridos.

O denominado Movimento Protetorado Português Lunda Tchokwe tinha convocado para sábado uma manifestação para apelar o governo angolano que negoceie a autonomia daquela região, rica em diamantes, com base num acordo entre o povo Lunda-Tchokwe e o governo colonial português, que não foi tido em conta após a independência de Angola.

 



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