Luanda - O ambientalista angolano Vladimiro Russo denunciou esta segunda-feira que ao longo de anos foram realizadas atividades económicas “ao arrepio da lei” nas zonas protegidas em Angola e que poucos projetos contribuíram para o desenvolvimento destas áreas.

Fonte: Lusa

“Todas as áreas de conservação tiveram um desenvolvimento que foi contra a lei e que nenhum deles ou muito poucos contribuíram para o desenvolvimento daquelas áreas de conservação”, afirmou esta segunda-feira Vladimiro Russo em declarações à Lusa.

 

O ambientalista referiu que Angola tem um passado de atividade económica nas áreas de conservação ou circunvizinhas onde “há um impacto bastante negativo” e defendeu que se deve procurar por pontos convergentes entre autoridades e a sociedade civil.

 

O governo colocou em discussão pública a lei sobre as áreas de conservação ambiental, aprovada em abril de 2020, visando acomodar a exploração de recursos minerais e petróleo nas áreas de conservação. A iniciativa é contrariada por vários ambientalistas e atores da sociedade civil, que já remeteram ao governo um abaixo-assinado defendendo a salvaguarda das áreas protegidas devido à sensibilidade que elas apresentam.

 

O ambientalista, que também ratificou a petição, falava à margem do Fórum sobre Exploração Petrolífera em Áreas de Conservação Ambiental, organizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) angolana, e considera que a sociedade civil deve ser incluída na discussão da lei.

 

“Há aqui duas correntes e estas colidem em alguns aspetos, pelo que devemos procurar consensos e ver como é que esta atividade a ser realizada dentro das áreas de conservação pode permitir que haja de facto uma conservação e não uma destruição dos recursos nessas áreas”, notou.


O “Desenvolvimento em Áreas de Sensibilidade Ambiental” foi o tema apresentado por Vladimiro Russo no último painel deste fórum que decorreu em Luanda, tendo o ambientalista questionado o “possível casamento” entre a exploração e a conservação de zonas protegidas.

 

“Vamos buscar exemplos da nossa experiência e depois perguntar se Angola tem capacidade para gerir este tipo de atividades dentro das áreas de conservação sem colocar em perigo as comunidades biológicas e também as sociedades”, questionou.

 

A exploração petrolífera em Angola, estratégias e perspetivas, quadro legal aplicável ao setor petrolífero e atividades em áreas de sensibilidade ambiental foram os três temas abordados neste fórum.

 

 



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