A saber:
- Morgan Tsvangirai e o seu staff foram, sob coacção, levados para uma esquadra de Polícia e sujeitos a interrogatório; realizavam, na ocasião, uma acção de campanha no SE do país.
- Trinta organizações humanitárias, a maior parte das quais zimbabueanas,  foram intimadas pelas autoridades a suspender as suas acções de distribuição de bens alimentares às populações; foi ordenada a três ONG´s internacionais,  Save The Children UK, Care International e Adra, a cessação das suas actividades.

 Robert Mugabe rejeita liminarmente a ideia de abandonar o poder; movido por tal obsessão decidiu, ainda antes de serem anunciados os resultados da primeira volta, empregar todos os meios/métodos necessários para garantir na segunda volta uma vitória susceptível de ofuscar o percalço da primeira volta, como é considerado. 

Grace Mugabe, esposa de Robert Mugabe, incorreu recentemente num deslize verbal visto como ilustrativo do estado de espírito do marido ou de ambos – já que ela passa por exercer grande influência sobre ele. Segundo Grace M, a State House de Harare, residência presidencial, nunca servirá de aposento a Morgan Tsvangirai. 

 A interpretação à letra do desabafo de Grace Mugabe é que nada deixará de ser feito, lícita ou ilicitamente, para garantir a vitória eleitoral de Robert Mugabe; mas se por suposição tal vitória não se confirmar, são admitidos cenários como o da liquidação física de Morgan Tsvangirai – por quem Robert Mugabe nutre profundo desprezo. 

Informações de intelligence indicam que ante a emergência de uma derrota eleitoral que não fosse possível reparar como adversidade, pode ser posto em prática um plano que consiste na ocorrência de um pretenso golpe de Estado, desencadeado por militares afectos ao regime, na voragem do qual se procederia à eliminação de opositores.
 

2 . Robert Mugabe ficou profundamente irritado com a "fuga" de Morgan Tsvangirai após as eleições – que o mesmo justificou como forma de acautelar riscos à sua integridade física; a irritação estendeu-se ao facto de Tsvangirai  ter sido recebido por chefes de Estado da região, actuais e antigos, entre os quais Armando Guebuza, José Eduardo dos Santos e Joaquim Chissano.
Por razões equivalentes (temer ser liquidado pelos rodesianos do regime de Ian Smith), o próprio Robert Mugabe  efectuou um périplo idêntico, logo após a votação de 1980, na então Rodésia,  que deu a vitória ao seu partido, ZANU-PF. A rival ZAPU, de Joshua Nkomo, viria mais tarde a ser destroçada e absorvida pela ZANU-PF.

 Á excepção do Botswana, todos os chefes de Estado sugeriram a Morgan Tsvangirai a formação de um governo de coligação com a ZANU-PF, caso vença as presidenciais. O argumento usado foi o de que a ZANU-PF domina por completo as instituições de Estado. Morgan Tsvangirai retorquiu que o MDC se encontra bem representado nas mesmas.
 A aceitação de que M Tsvangirai goza  entre os líderes da SADC, os quais vêm nele um putativo PR do Zimbabué, deu já lugar a apoios materiais por parte de alguns deles. Ian Khama, recém-eleito PR do Botswana, e cultor de ostensiva antipatia por Robert Mugabe, terá ordenado que fosse prestada ajuda financeira a Tsvangirai.
 

3 . A ameaça que o prestígio interno e externo de Morgan Tsvangirai passou a representar para Robert Mugabe e para o regime, provocou o reagrupamento de velhos líderes da ZANU-PF, com os quais tinham estalado desavenças; entre eles,  Emmerson Munangagwa,  que em 2007 esteve sob prisão domiciliária, acusado de implicação numa conspiração.
 Munangagwa  visitou vários Estados da região, nomeadamente África do Sul, Moçambique e Angola, para avaliar a posição dos respectivos governos face à situação no Zimbabué; adicionalmente, tratau de obter apoios materiais e saber qual seria a reacção dos mesmos  caso a segunda  volta fosse adiada por oito meses.
A reacção geral foi a de que a realização da segunda volta era não só imperativa, como deveria ter lugar o mais tardar até Julho; devia, também,  evitar-se a instabilidade interna, tendo em conta os riscos que a mesma acarretaria para a região (a embaixadora angolana em Washington, Josefina Pitra, fez então saber ao Departamento de Estado que o seu Governo estava a pressionar Robert Mugabe a seguir esta orientação).
 

4 . Face a este ambiente a liderança da ZANU-PF decidiu-se por:
- Endurecer a campanha de intimidação; forçar a saída de eleitores dos círculos que lhe foram desfavoráveis, na prática para os impedir de votar.
- Provocar/exasperar a liderança do MDC, por forma a forçá-la a apelar à revolta popular dos seus apoiantes e eleitores.
- “Desdobrar” as suas milícias (envergando uniformas militares), por forma a dar a entender que o Exército apoia Robert Mugabe.
- Criar um clima de instabilidade como meio para se declarar a impossibilidade de se realizar a segunda volta – se isso vier a ser considerado conveniente.
- Intimidar ou aliciar os membros da ZEC (Comissão Eleitoral), conforme as suas conotações individuais.
- Neutralizar o trabalho das ONG´s, que acolhem com notório agrado a ideia de uma mudança política no Zimbabué.
-  Perturbar todas as actividades de campanha eleitoral por parte do MDC.
- Manter constante contacto com as chefias militares e cativá-los – Didimus Mutassa, ex-ministro da Defesa, foi incumbido da tarefa.
- Enviar Robert Mugabe a Roma tendo em vista sondar possíveis apoios externos, em particular junto dos “inimigos” norte-americanos.

A chamada velha guarda da ZANU-PF considera que, mesmo com estas medidas, o espectro de uma derrota de Robert Mugabe se mantém e que a mesma só pode ser evitada por via de uma suspensão do acto eleitoral, ou por efeito do desaparecimento de Morgan Tsvangirai – que  o regime "deixou ir longe demais", conforme comentam.

Estão também referenciadas correntes internas, mais moderadas, para as quais o radicalismo do “contingency plan” do regime tendo em vista a conservação do poder por parte de Robert Mugabe, não só pode falhar como ter efeitos perversos; na sua visão das coisas o melhor seria tornar possível uma “saída honrosa” de Robert  Mugabe, até como forma de garantir o futuro da ZANU-PF.

Fonte: Africa Monitor



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