Luanda - Os técnicos do Tribunal de Contas (TC), que estão a investigar a gestão dos principais órgãos de comunicação estatais, poderão abandonar aquelas instituições no princípio da próxima semana, conforme apurou O PAÍS.

*Dani Costa
Fonte: O Pais

Os enviados do juiz Julião António aos órgãos estão a analisar principalmente os exercícios dos três últimos anos, altura em que o Estado passou a disponibilizar maiores percentagens financeiras para o sector da comunicação social.

 

A interrupção dos trabalhos na Rádio Nacional, Jornal de Angola e Televisão Pública, estaria associada a alegadas orientações superiores que recebidas há alguns dias de responsáveis do próprio Tribunal de Contas.

 

Apesar de permanecerem ainda nos escritórios das referidas empresas, as equipas do Tribunal de Contas estariam apenas a aguardar que a semana terminasse para nos próximos dias deixarem definitivamente as instalações da Televisão Pública, rádio e do único diário do país.

 

A hipotética decisão de se interromper o curso normal das investigações provocou um certo desagrado no seio dos próprios inspectores, alguns dos quais não conseguiam perceber as razões que estariam por trás de tal medida, porque não tinham concluído o trabalho.

 

Contactado por este jornal, o porta-voz do Tribunal de Contas, Gilberto Magalhães, remeteu-nos para o gabinete do próprio juiz-presidente do TC, Julião António.

 

O PAÍS não conseguiu contactar o juiz-presidente porque, segundo uma das suas secretárias identificada como Edna, Julião António “estava muito ocupado”.

 

Na ausência do homem forte da instituição, a secretária indicou Hélder Beji, da Divisão dos Serviços Técnicos, que refutou categoricamente as informações de que os trabalhos dos inspectores tenham sido suspensos por orientações superiores emanadas pela direcção do Tribunal de Contas.

 

Beji, que se apresentou igualmente como um dos supervisores das equipas de inspecção até ao momento estacionadas nos escritórios da RNA, TPA e Jornal de Angola, disse que não suspenderam a auditoria, “como vocês podem comprovar que os técnicos estão lá a trabalhar.

 

Com excepção do próprio Ministério da Comunicação Social, os técnicos do Tribunal de Contas continuam em todas as instituições”, salientou aquele funcionário.

 

A ausência dos técnicos dos escritórios que a nova ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, herdou de Manuel Rabelais não significa que os trabalhos tenham terminado nesta instituição, como garantiu a fonte que vimos citando.

 

“Os nossos colegas já terminaram os trabalhos de campo no Ministério da Comunicação Social, agora estão a prosseguir com os trabalhos normais dentro das nossas próprias instalações”, garantiu Helder Beji, acrescentando que “há muita expectativa em torno do próprio processo, mas não houve qualquer iniciativa ou indicação da parte do venerando juiz-presidente para transmitir a suspensão dos trabalhos”.

 

O nosso interlocutor garante que é normal que o responsável máximo do Tribunal de Contas tenha solicitado já os pareceres , como asseguraram algumas fontes de O PAÍS.

 

Helder Beji considera isso como um processo normal, que pode ser feito em qualquer altura da própria investigação: “A expectativa é tanta, as pessoas querem ver os resultados o mais rápido possível, mas não vamos ceder a nenhuma pressão. Nos pronunciaremos quando for possível”, explicou o nosso interlocutor.


Já sob o fecho desta edição apurámos que os responsáveis das equipas de auditoria de todos os órgãos poderão reunir-se nas instalações do Tribunal de Contas, para analisarem o contéudo dos trabalhos feitos até ao momento.


A auditoria ao Jornal de Angola, Rádio Nacional e Televisão Pública, começou no dia 12 de Março.


Os investigadores basearam-se em várias denúncias que foram recebendo, segundo fontes da própria instituição, incluindo algumas cartas endereçadas ao Ministério e outras divulgadas na internet.

 

Nas primeiras semanas os investigadores fizeram o levantamento do sistema de controlo interno das empresas, que permitiu posteriormente identificar as áreas de actuação.


Na Rádio Nacional de Angola, os homens de Julião António instalaram-se particularmente na direcção administrativa e financeira, onde consta que se terão ‘apropriado’ de um computador para uma melhor apreciação do que foi feito nos últimos anos.

 

O PAÌS apurou que depois dos técnicos do Tribunal de Contas entrará em cena na emissora uma equipa de inspectores do Ministério das Finanças, que já esteve nas instalações da rádio há cerca de um mês.


No único diário do país também foram revistadas as direcções financeiras e comerciais, sendo o director financeiro das Edições Novembro, Eduardo Minvu, um dos homens mais requisitados para esclarecimentos. Pastas de arquivos foram levadas para serem apreciadas meticulosamente.



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