Luanda - Entrou muito jovem para os serviços de inteligência, em Benguela sua terra natal, cabendo-lhe, na altura, o ingresso na área de migração e fronteiras. Galgou a pulso nesta carreira até ser “entronizada” chefe da referida direcção. Era tida como peixe na água e fez dele o seu filão.


*Eugénio Mateus
Fonte: O Pais



Teve propostas para vice-ministra da Família e Promoção da Mulher, mas declinou-as todas.


Queria ser no SME a cereja no topo do bolo, mas o acaso reservou-lhe uma ingrata surpresa. Um ocaso nas barras do tribunal e uma condenação de quatro anos por gestão ruinosa.



A antiga directora do Serviço de Migração e Estrangeiro, Maria Joaquina da Silva, pode estar a amaldiçoar-se a si própria por ter abandonado o curso que fazia em Israel, no ano de 2006, para vir a Luanda verificar a quantas andava a situação da concessão de vistos e emissão de cartões de residência para estrangeiros residentes em Angola.



Com o “Caso Miala” em processo de levedação na altura, o abandono dos estudos em Israel por parte de “Quina” da Silva deu azo a várias interpretações e suspeições acerca da oportunidade desta decisão. O PAÍS não pôde apurar se isto terá ocorrido por decisão superior ou resultado de uma decisão pessoal.



Uma fonte do SME disse a O PAÍS que ela própria reconhece, em desabafos junto de pessoas próximas, ter sido este o maior erro alguma vez cometido ao longo da sua carreira profissional.


Acrescentou a fonte que ela tinha plena consciência da gravidade da situação, mas alegadamente terá pretendido ter o controlo de uma área sensível que sempre esteve sob sua gestão directa.



Ao deparar-se-lhe o quadro que levou a direcção do SME às barras da justiça, “Quina” teria tentado investigar de motu próprio as irregularidades encontradas mas sem muitos avanços.


A fonte disse que Maria Joaquina da Silva terá rejeitado, por mais de uma vez, propostas que a guindariam a vice-ministra da Família e Promoção da Mulher, preferindo continuar na carreira nos SME, a qual estava bem encaminhada, até que se deu o caso cujo desfecho ficou conhecido esta quintafeira.



“Quina” da Silva habilitava-se a ostentar um grau militar da classe do comissariato na Polícia, caso chegasse ao fim da formação, tornando-se assim na terceira mulher a ostentar a patente policial de sub-comissário a igual que Betty Rank Frank e a comandante da Polícia Fiscal.


Algumas acusações que lhe foram imputadas, no entender da fonte de O PAÍS, não são propriamente desvios de gestão, mas sim uma prática sancionada pela superintendência dos serviços acabando ela por abarcar por inteiro e sozinha o ónus da acusação.



A fonte defende que estruturalmente os serviços de migração apresentam algumas lacunas e que tudo que foi feito na sua gestão era permitido, adiantando que muitos ministros do Interior, por exemplo, podiam fechar o ciclo governativo sem nunca porem o pé no SME.


Vítima do expediente de relações públicas


Mas ela também terá sido vítima do expediente de relações públicas junto dos corredores do poder. Por exemplo, asseverou a fonte, “Quina” da Silva não era bem referenciada nos meios do MPLA, partido no poder, perdendo para o seu adjunto Rui Neto de quem se tinha muito boas referências nos corredores da sede do “partido”.



Em contrapartida, “Quina” era benquista no próprio ministério onde tinha em Osvaldo Serra Van-Dúnem um verdadeiro protector, situação que se altera com a morte daquele.



Externamente falando, foram recorrentes as investidas do actual ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro “Ngongo” através dos meios de imprensa em relação à demora verificada no julgamento deste caso, funcionando as suas palavras como meio de pressão sobre o Tribunal para onde já tinha sido encaminhado o processo, para que o caso fosse julgado o mais célere possível.



Portanto, “Quina” da Silva é daquelas pessoas que pode considerarse, seguramente, uma das órfãs de Osvaldo Serra Van-Dúnem de quem recebeu sempre apoio e protecção ao contrário do seu adjunto Rui Neto.



A fonte que vimos fazendo referência disse mesmo que após a descoberta dos desvios na gestão do Serviço de Migração e Estrangeiros, Rui Neto teria sido preso por ordens do falecido ministro do Interior resistindo a toda pressão exercida contra si para assumir a situação encontrada no SME até encontrar o que Galileu Galilei pretendia para levantar o mundo, o seu ponto de apoio.



Aconselhado pelos seus no seio do partido no poder, Rui Neto defendeu-se com as armas de que dispunha, sendo encarado como uma peça crucial no julgamento, acabando por ser condenado na pena maior entre todos os arguidos.



“Quina” da Silva foi mesmo expulsa do quadro de pessoal do Ministério do Interior na sequência do inquérito mandado instaurar internamente, acabando por ser até aqui a primeira funcionária sénior do anterior Governo a sofrer uma condenação por crime de peculato, num reino onde avultam casos muitos conhecidos e cognominados como o famoso “Caso Triliões”, nunca julgado até hoje e os seus supostos mentores a desfilarem pelos corredores do MININT.


SME com nova sede nacional no km 30




A nova sede dos serviços centrais do SME nos arredores do Hospital Josina Machel poderão servir para a delegação provincial que está precariamente instalada no Bairro Operário justamente em frente ao Gabinete de Aproveitamento do Médio Kuanza (GAMEK).



A instalação da direcção provincial do SME na área referida mereceu a reprovação de “Quina” da Silva, segundo a fonte deste jornal. A insistência em mantê-la nas actuais instalações terá levado a antiga directora do SME a pôr em causa o funcionamento cabal daquela estrutura, o que se foi verificando na prática, segundo a fonte de O PAÍS, pois não desempenhava o papel que lhe estava reservado.



Questionada sobre a premência do funcionamento de uma delegação provincial, a fonte disse que ela teria as mesmas atribuições que sempre tiveram as delegações do SME nas várias províncias do país, libertando a direcção central das enchentes de utentes dos seus serviços como se tem verificado actualmente.



A escolha do Quilómetro 30 às portas de Bom Jesus, onde está a ser erguido o moderno Aeroporto Internacional de Luanda, não foi inocente.


Perfil de “Quina” da Silva



Afastados os males de Quina da Silva, a fonte deste jornal admitiu que ela tinha o perfil requerido para a chefia de um tal serviço.


O general Dinho Martins é visto como bastante humano, muito bom, para a direcção do SME que requer pulso, para enfrentar abordagens de corrupção entre outras que fazem incorrer em desvios.



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