O porta-voz da mega empresa, Sebastião Marques Panzo, referiu esta posição, numa reacção preliminar difundida pela Ecclesia.

Não admitiu, nem negou a verosimilhança das denúncias do relatório intitulado “A colheita da fome nas zonas diamantíferas”, da autoria do activista cívico, Rafael Marques.

Salientou que a zona apontada integra uma vasta reserva, onde é natural se verificarem, volta e meia, «desafios de conciliação de interesses».

«São esses (desafios) que vamos estudar e ver o que se pode fazer em termos ou correctivos, ou de esclarecimento sobre a forma como foi processada a expropriação de espaços», completou o chefe do gabinete de imagem e relações públicas da Endiama.

Frisou, também, a actualidade acentuada e generalizada da questão da terra em todo o país, ou, seja, para além das zonas tradicionais das Lundas.

A tendência preocupa a indústria diamantífeira e mineira, que dedica já um estudo global na mesma, numa perspectiva da conciliação de interesses.


Dezassete kwanzas por metro quadrado de lavra destruída

Segundo o relatório publicado, a destruição de lavras e a expropriação arbitrária de terras, para a expansão de projectos diamantíferos, gerou uma grave crise alimentar e pobreza.

O documento localizou a situação no município do Cuango, província da Lunda-Norte, nordeste de Angola, culpando as actividades da Sociedade Mineira do Cuango (SMC).

Esta é uma associação liderada pela ITM-Mining, empresa sediada na Grã-Bretanha (50 % do capital), com a Endiama (35 %) e a Lumanhe 15 %), uma companhia privada formada por generais das Forças Armadas Angolanas (FAA).

A pesquisa, realizada em colaboração com uma rede de activistas locais, na vila de Cafunfo, município do Cuango, demonstra como «a SMC tem destruído as lavras à noite e sem aviso prévio.»
0,25 dólar por metro quadrado de lavra destruída.

«A empresa procede com medições arbitrárias das áreas de cultivo destruídas para determinar o valor a ser pago a cada camponês. Essa prática tem deixado milhares de pessoas à fome, enquanto a SMC expande a sua concessão. Em 2007, a SMC produziu 340.002 quilates de diamantes e, apesar da produção satisfatória, paga apenas US$ 0.25 (vinte e cinco cêntimos de dólar), equivalente a kzr 17.5 (dezassete kwanzas e 50 cêntimos), por metro quadrado de lavra destruída», lê-se no relatório.

Fonte: Apostolado



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