Os excedentes de liquidez gerados pela acumulação constante das receitas do petróleo estavam aplicados em fundos internacionais de pensões ou convertidos em depósitos em contas offshore.  Considerou-se mais conveniente, por razões de segurança e rentabilidade, investir em activos empresariais.
A Sonangol controla e gere as receitas petrolíferas – excepto as de natureza fiscal. Esta é uma das suas vastas funções – todas efectuadas em “estreita articulação” com o principal centro do poder, o PR, ou por instrução do mesmo. A modalidade mais corrente no passado foi a de manter os dinheiros em contas offshore.
A elevação da respeitabilidade da companhia que se conjectura que a Sonangol visou com a sua entrada na Galp é associada a cálculos como o de melhorar a sua reputação (não divulga contas), amortecendo assim reservas e pressões internacionais a que o seu estatuto e o seu modelo de gestão dão azo.

A Sonangol é notoriamente o principal instrumento da política do regime do MPLA, um papel favorecido pelo controlo exercido sobre a mesma pela superestrutura de poder e pela sua gestão concentralizada.  As negociações com o FMI nunca alcançaram êxito devido a exigências no sentido de racionalizar o vasto estatuto da companhia e sua gestão.
Uma das reservas do FMI foi sempre a competência da Sonangol como concessionária dos recursos petrolíferos nacionais – uma atribuição própria de uma agência do Estado, dotada de autonomia. A maior respeitabilidade que a Sonangol busca, cria um clima favorável a reformas no sector petrolífero,  mais aparentes e menos autênticas
A Sonangol também estimou que os seus negócios em Portugal teriam projecção mediática suficiente (parte da qual repercutível na Europa),  não só para facilitar a aquisição de prestígio, como para ajudar a criar um ambiente interno propiciador de investimentos, mais recatados, da elite angolana – que estão em curso.

A imprensa portuguesa presta atenção constante ao assunto dos negócios da Sonangol no mercado doméstico  – em geral apresentados como investimento público ou de um fundo soberano. É mais esporádica a atenção prestada a operações de investimento privado da elite angolana, que privilegia os sectores imobiliário e fundiário.


2 . A política de investimentos da Sonangol em Portugal também foi encorajada por circunstâncias adicionais, entre as quais avultam as seguintes:
- A abertura existente em Portugal e na sociedade portuguesa relativamente a Angola; os negócios e os interesses em geral constituem o factor determinante de tal abertura – que se manifesta igualmente no plano político.
- A segurança que o mercado português oferece como destino de investimento – uma vantagem decorrente das influências de que a elite e a classe média angolana dispõem em Portugal; não obstante, Angola propôs e Portugal aceitou concluir um acordo de protecção mútua de investimentos.
- O papel âncora que podem ter investimentos com a grandeza e a natureza dos efectuados na Galp e no Millenium BCP em relação ao mercado em geral.
- Uma maior confiança na não ocorrência de escrutínios políticos ou mediáticos no que concerne a aspectos como a natureza fundos aplicados (vantagem decorrente de influências de que dispõe).
- A ajustada dimensão da Galp às capacidades financeiras da Sonangol;  atractivos como a presença da Galp no mercado ibérico de distribuição, a sua capacidade de refinação (existente e potencial) e os seus interesses no mercado da produção petrolífera no Brasil.

Fonte: Africa Monitor



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