Luanda - Segue na integra do artigo intitulado "O bloco e a manifestação dos insultos" do Jornal de Angola a cerca da manifestação pela liberdade de expressão no país.


Fonte: Jornal de Angola

Não gostei de ouvir insultar o Chefe de Estado

Segundo o Jornal de Angola -  A manifestação de sábado na Praça da Independência mostrou que a Frente para a Democracia continua moribunda mesmo com a mudança de nome. O problema é mesmo de ideias e de liderança. Fui lá para ouvir com atenção o que os seus mentores tinham para me dizer. Acredito que temos sempre alguma coisa a aprender com os jovens. Mais uma crença: a experiência dos anos deu-me a certeza de que a juventude é facilmente manipulada e por isso os pescadores de águas turvas estão sempre a servir-se da sua generosidade para dar satisfação às suas ambições inconfessáveis e ilegítimas.

 

Para começar quero dizer que vou praticamente todos os sábados à Praça da Independência onde encontro muitas famílias, pares de namorados e os inevitáveis atletas de fim-de-semana. No sábado da manifestação, os habituais frequentadores primaram pela ausência. Só lá estava o pequeno grupo de manifestantes e os grandes dirigentes do Bloco Democrático, versão recauchutada da Frente para a Democracia. Vou directo ao assunto. É óbvio que a manifestação foi a estreia do novo partido político superiormente liderado pelos manos Justino e Vicente Pinto de Andrade mais Filomeno Vieira Lopes, para falar dos mais antigos nas lides políticas.

 

Desta vez eles decidiram dar a cara e fizeram bem. É feio deixar os "miúdos" pendurados numa manifestação a favor da democracia. Ninguém me vai levar a mal se disser que aquilo foi tão confrangedor que me meteu pena. O Bloco Democrático partiu o semi-eixo logo no arranque e depois das próximas eleições vão ter de mudar o nome. Têm desde já garantida mais uma extinção, se conseguirem concorrer. Mas não foi o fracasso dos grandes políticos do Bloco Democrático que mais me incomodou. Foi aquele vazio de ideias, aquela indigência política, aquelas figuras tristes de pessoas com idade para terem juízo.

 

O mais grave foi ouvir na Praça da Independência insultos ao Chefe de Estado. É verdade que os grandes líderes do Bloco Democrático não fizerem coro com os insultos. Mas estavam ali para o bem e para o mal. Se em vez de três ou quatro dezenas de manifestantes estivessem lá três ou quatro mil, eles iam querer sair de lá em ombros. Portanto, responsabilizo-os pelos insultos ao Chefe de Estado, que é Presidente de todos os angolanos e tem de ser respeitado.

 

A democracia tem esta grandeza. Permite tudo: faltas de respeito, desconsiderações, golpistas, vaidades balofas, abusos, políticos sem categoria, protestos exaltados. A superioridade dos democratas está em aceitar a diferença, mesmo quando ela está em desconformidade com os princípios democráticos e com as mais elementares regras do civismo e da convivência pacífica. Não gostei de ouvir insultar o Chefe de Estado.

 

Tenho pena de que estes excessos de "kuduristas" com fome e sede de protagonismo tenham rebentado na cara dos altos dirigentes do Bloco Democrático, até porque reconheço que alguns deles são genuinamente defensores da democracia e da liberdade de expressão. Não estou a vê-los vestir a pela de "muatas da paz" e depois à socapa desenterrarem os machados da guerra. Mas foram eles que escolheram a companhia e se atrelaram à "manifestação".



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