Luanda - Um grupo de artistas nacionais, encabeçado pelo músico Lucas de Brito “Maya Cool” e o humorista Costa Vilola, do grupo Tunezas, lançou-se numa campanha de emergência visando a recolha de fundos para apoiar o cantor Mamborró, cujo estado de saúde é considerado grave.


Fonte: O Pais


ImageDe acordo com informações avançadas ao jornal O PAÍS por Costa Vilola, na qualidade de porta-voz da referida campanha, o cantor José Manuel Jorge Machado, ou simplesmente Mamborró, teve de ser evacuado ontem mesmo para a República da Namíbia, onde deverá receber tratamento médico.

 

A campanha prevê a realização de dois espectáculos músico-culturais para os próximos dias, em que deverão participar dezenas de artistas, alguns dos quais já confirmados. O primeiro espectáculo deverá acontecer numa gala a se realizar na Casa 70, empresa que disponibilizou o seu estabelecimento para apoiar a causa.

 

Pretende-se que o segundo espectáculo seja mais abrangente em termos de público, por isso os organizadores estão a negociar com a direcção do Cine Atlântico para que o mesmo aconteça naquele local. Para este show, a Rádio Vial garantiu já o seu apoio, responsabilizando-se pelo aparato sonoro.

 

Outro apoio que também já está garantindo é o da Banda Maravilha que se predispôs a acompanhar instrumentalmente os músicos que venham a actuar nos referidos espectáculos, bem como participar na produção.

 

Entretanto, a grande dificuldade até agora está em encontrar uma ou mais empresas que assumam a produção dos espectáculos. Costa Vilola lembrou que o seu papel, assim como do músico Maya Cool, é apenas o de apelar a solidariedade dos artistas e outros agentes no sentido de tornar efectiva a intenção de apoiar Mamborró, mas que deve ser uma empresa, ou várias, a assumir a produção.

 

“Pedimos, por isso, a empresas como LS Produções, LS Republicano, assim como as Produtoras Associadas e muitas outras que existem em Angola para que possam nos ajudar neste sentido”. O humorista referiu também que muitos artistas têm estado a responder positivamente ao apelo.

 

Confirmadas já estão as presenças dos cantores C4 Pedro, Ary, Pérola, Yola Semedo, Big Nelo, entre outros.

 

Alguns destes artistas, para além de garantirem a sua presença nos espectáculos, prometeram apoiar também financeiramente esta iniciativa.


Aliás, qualquer pessoa pode fazer o mesmo, desde que deposite os valores nas contas BPC 0026-D80385011 (em kwanzas) e 0026-D80385011 (em dólares).
 


DE VOLTA À NAMÍBIA, DOIS ANOS DEPOIS
 


Foi em Setembro de 2008 que Mamborró teve de ser evacuado pela primeira vez para a República da Namíbia, onde esteve internado num hospital durante alguns meses alegadamente devido a uma avançada hepatite C de nível 2. Na altura, a classe artística mobilizou-se igualmente à volta de uma campanha de solidariedade para apoiar o tratamento do mesmo.


Várias instituições e pessoas singulares associaram-se à causa para salvar a vida do autor de “Belinha Chuchu”, criando condições logísticas de suporte, quer para o tratamento do músico no estrangeiro, quer para a fase pós-internamento. A União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) desde a primeira hora deu o seu contributo, patrocinando ao artista o bilhete de passagem à Namíbia, gesto a que se seguiram outras manifestações de apoio, como a campanha de angariação de fundos levada a cabo pelo programa Sábado Mais, da Rádio Luanda.


A verba arrecadada cifrou-se em quatro mil e 300 dólares, aplicados nos primeiros momentos do tratamento em terras namibianas, segundo informações do agente do artista, Manuel dos Santos “Kito”. Na altura, Maya Cool, o amigo desde os tempos do Rádio Piô, comprometeu-se a oferecer metade dos 15 mil dólares conquistados no Top dos Mais Queridos daquele ano. A então governadora de Luanda e ministra sem pasta, Francisca do Espírito Santo, a família do falecido empresário Valentim Amões e Ovídeo também contribuíram com as quantias de 15 mil, dez mil e cinco mil dólares, respectivamente. O empresário Bento Cangamba aliou-se a essa corrente com uma quantia de 30 mil dólares.

 

À onda de solidariedade juntou-se a realização de espectáculos de homenagem e angariação de fundos, envolvendo músicos que repartiram o palco com Mamborró na década de 80, como Yuri da Cunha, Maya Cool, As Gingas do Maculusso e Ângelo Boss.

 

 
BALDE DE ÁGUA FRIA NA CIDADELA


 
De volta ao país e ainda em fase de recuperação, Mamborró fez várias aparições em palco, brindando os seus fãs e amigos com grandes sucessos como “Vavó Samba” e “Boda de sábado”, gravados no CD de estreia intitulado “Um pouco de mim”, publicado em 2007. Entretanto, foram surgindo notícias de que a sua saúde continuava a inspirar cuidados, até que deixou de ser visto, inclusive, nas ruas.


Foi uma agradável surpresa saber que o seu nome constava na lista dos músicos nacionais que iriam animar o “Show da Saudade”, realizado sábado passado, em Luanda. Contudo, o balde de água fria caiu sobre os mais de 30 mil espectadores que se encontravam na Cidadela quando Mamborró apareceu sobre uma cadeira de rodas, debilitado fisicamente. Não tinha sequer forças para cantar. Muitos choraram, como ele. Há informações de que no dia seguinte teve mesmo de ser internado, no Hospital Militar. Ontem foi evacuado para a Namíbia. Daí a onda de solidariedade que mais uma vez move a sociedade angolana. Costa Vilola, dos Tunezas, refere que o apoio ao cantor deve continuar até mesmo depois do seu tratamento no exterior do país terminar.


José Manuel Jorge Machado ou “Mamborró” nasceu a 7 de Agosto de 1970, na Rua C, na vila da Gabela, província do Kwanza-Sul.



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