Luanda - Segundo a fonte da Club-k, “Igreja católica elaborou um programa de perseguição ao escritor e jornalista Domingos da Cruz. De acordo com as fontes a que o Club-k teve acesso, o livro “Quando a guerra é necessária e urgente”, que foi proibido sua publicação pela Igreja em parceria com o poder político, foi parar na livraria do Centro Apostólico em Malanje, à convite da Diretora daquele centro, Irmã de nacionalidade Brasileira, Tânia, que nutre simpatias para com o autor”( fim da citação).

 

Fonte: Club-k.net

O que eu penso sobre essse assunto?

Em primeiro lugar, eu penso que a Igreja Católica tem o direito de aceitar ou rejeitar se o livro x ou y seja vendido em sua livrária. Não podemos ser ingénuos pensando que o facto de estarmos no tempo de liberdade, a Instituição da Igreja Católica deve aceitar qualquer livro para ser vendido em seus centros de Apostolado, cito o exemplo do Centro Apostólico de Malange onde foi retirado o mencionado livro do autor em questão. Quando a Igreja Católica e seus líders são lezados, não há nenhuma obrigação de se aceitar ou concordar com este ou aquele escritor, por mais brilhante que ele seja. A Igreja Católica tem todo o direito e o dever morar de retirar em suas livrarias ou instituições os livros de autores cujos pensamentos não concordam. Não vejo a postura da CEAST como de perseguidor do escritor e jornalista Domingos da Cruz ou caca de bruxas de quem pensa diferente. Vejo apenas uma reação certa por parte da Igreja Católica por não concordar com certas afirmações duvidosas que estão na contra capa do livro.


Vamos procurar entender porque penso assim. Tentemos seguir o seguinte racicício. Diz o ditado: “a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro". Quanto ao livro do referido escritor, Domingos da Cruz, confesso que não o li porque não estou em Angola. Entretanto, onde tirei as conclusões do mesmo livro? Retiro conclusões do mesmo livro lendo o teor da contra capa que foi publicado nos sites de noticias de Angola. Logo que li a tal capa pensei logo, a CEAST (Conferência dos Bispos de Angola e São Tomé) não aceitaria a publicação da mesma obra em suas instalações. Porque a contra capa já mostra a crítica feita ao episcopado no seu todo, sem talvez separar o trigo do joio. Digo talvez porque não li o livro. Portanto, não se poderia esperar outra reação senão impedir que a obra do senhor Domingos da Cruz não fosse vendido no lugar anunciado, isto é, seria na sede da CEAST. Trata-se de coerência e certa lógica. Quem é que aceitaria uma pessoa que falou mal dele e, no outro dia, a mesma pessoa vai à sua bancada de mercado, para deixar sua mercadoria para ser vendida? Eu não faria isso. Se o fizesse; seria eu um mal intencionado. Eu seria nesse caso, como um rato que roeu o calcanhar de alguém e ao mesmo tempo soprou como nada tivesse acontecido. Eu penso que faltou intuição por parte do escritor, ou ele o fez para dar o que falar na mídia afim de continuar a falar mal dos bispos e suas instituições. Se for isso, então, o jornalista não teve boas intenções.


Penso que o senhor Domingos da Cruz foi imprudente ao afirmar que o episcopado angolano é comprado ou corrompido pelo regime do MPLA. É sabido por todos angolanos que alguns membros do episcopado de Angola são do MPLA, mas não se pode afirmar categoricamente que todo episcopado esteja comprado pelo regime vigente do MPLA. A premissa da afirmação que está na contra capa do livro que foi publicado é falaciosa, porque o autor faz uma geralização dando a entender que todos os bispos são do MPLA. Isso não é verdade, porque nem todos os bispos são corrompidos como se pode entender na capa do livro. Essa é a minha leitura sobre o que eu li. Poço estar equivocado e tirar conclusões apressadas sem ter lido a obra do autor, se for isso peço desculpas aos leitores que leram o livro. E espero que alguém me prove o contrário do que estou a escrever.


Em Angola há bispos que são críticos ao regime, embora eu reconheço e defendo a ideia segundo a qual, os bispos poderiam ser mais contundentes em reprovar actos que ferem a liberdade dos cidadãos; eles poderiam exigir de viva voz em suas pregações dizendo aos governantes do regime angolano que necessário e urgente que haja uma mudança de atitudes no que diz respeito certos assuntos de grande interesse nacional e dos cidadãos. Os bispos deveriam defender a liberdade de imprensa e a expansão do sinal da Rádio Ecclesia e as demais rádios. Eu sei que os bispos angolanos têm-se manifestado através de suas mensagens pastorais anuais. E o fazem com grande competência analítica mostrando o que está errado e os caminhos que deveriam ser seguidos; mas há limites e dificuldades de fazer chegar suas mensagens aos destinatários principais, os governantes. O esforço dos bispos não pode ser negado. E senhor Domingos da Cruz tem conhecimento dessas mensagens episcopais. A Igreja sempre foi porta voz dos angolanos no tempo de guerra.


A Igreja Católica cometeu erros e continua a cometer os erros isto é sabido, mas é preciso saber ler bem os factos e os contextos da história dela, porque a Igreja Católica é feita de santos e pecadores. A Cúria Romana (centro da Igreja Católica) está consciente dos pecados do seu clero; e o contra testemunho do clero não é desconhecido por parte da Igreja Católica. Mas Igreja Católica não tem só erros, tem coisas boas e as maiores instituições de caridade do mundo são da Igreja Católica negar isso é ingenuidade. O desafio Igreja Católica em todas as épocas, consiste em corrigir e aprender n com os erros dela mesma, de maneira a não repeti-los no futuro. A mesma Igreja Católica que fez surgir santo António de Lisboa e São Francisco de Assis, também ela perseguiu os hereges e praticou a inquisição em Angola e na Europa. Não podemos tapar os olhos como faz o avestruz, mas também é preciso ver as coisas boas que a Igreja Católica faz em Angola e no mundo inteiro, mas isso não significa ficar calado diante de seus erros. A política de avestruz não vale hoje em Angola. O avestruz faz de conta que não vê nada que tudo está bom. Isso não ajuda a Igreja nem tão pouco a nossa Angola.


Voltando ao assunto da mensagem dos bispos. Claro, entre o que está escrito em papeis e o que é dito em viva voz tem impacto diferente. Portanto, o que eu gostaria mesmo ouvir de alguns bispos são as palavras de pastores de ovelhas que defendem o povo, e se for necessário morrer como morreu Jesus. Temos bispos que são defensores do povo e cito outra vez um deles: Dom Gabriel, o actual arcebispo de Lubango, por isso não devemos generalizar as coisas. Seria bom citar nomes de bispos que são corrompidos pelo regime para que o povo saiba quem são os traidores da missão de Jesus.


A mensagem de cada bispo em sua diocese deve incomodar o regime, e se isso não acontece porque há casamento entre o regime e as Igrejas Cristãs no seu todo. Esse é o meu pensamento. Mesmo quando se fala de bispos ou cleros corrompidos deveria o autor do livro em questão citar nomes. Não sei se ele fez isso. Se o autor supra citado mencionou os nomes dos bispos corrompidos então está de parabéns.


Seja bem vinda a crítica construtiva, mas devemos ser responsáveis no que escrevemos e falamos. Em minha opinião o senhor jornalista está colhendo o que ele mesmo semeou. Agora não espera que seja abençoado pelo clero depois acusá-los de corrompidos pelo regime angolano!!!! Porque nem todos bispos são corrompidos pelo MPLA e nem todos são do MPLA. Agora devemos respeitar a escolha de cada um dos bispos; Mas esperamos que os bispos não se desviassem da vocação e missão recebida de servir a Igreja e não ao regime do MPLA.


Viva a liberdade responsável.
Frei Luzolo Lua Nzambi, Ordem dos frades menores da comunidade conventual.



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