1- Qual visao que tens do país? aspectos socias, culturais, políticos e económicos?

O país ainda não é uma verdadeira comunidade de angolanos. Ainda não vivemos de nós para nós, há “ghettos” sociais complicados produzidos pela actual política de discriminação. É um país que luta por adoptar um sistema democrático mas que “desconsegue” por efeito da acção de forças monopolistas, incapazes de partilhar a riqueza, o pensamento e os resultados da acção comum. Por debaixo dessa situação crítica, a existência contraditória vem produzindo a emergência de forças de mudança, promissoras, que vão transformar os ganhos de crescimento económico em desenvolvimento. Maior afirmação do movimento social e das vontades individuais, aliadas a potencialidades políticas progressistas, poderão provocar no médio prazo a inversão da situação actual. É deprimente observar o paradoxo entre os níveis de riqueza já conseguidos globalmente e a forma particular da sua apropriação por um grupo minoritário que desvaloriza o empreendorismo e o trabalho, provocando danos na valorização da sociedade, força motriz do progresso social.

O défice de cidadania existente não torna cada angolano um factor de desenvolvimento o que diminui a capacidade de produzir “cultura” numa escala suficientemente agregadora. Basta olhar para as raquíticas infraestruturas de suporte cultural. A tentativa de fazer da cultura um apêndice do político, margilnalizando toda a criatividade que não se “enquadra” nos padrões oficiais, não só faz emergir uma cultura de resistência, como despreza valores da alma que deveriam ser compartilhados, pois em cada um de nós há seguramente o todo. Em suma, o país caracteriza-se por um crescimento económico não equilibrado, disfuncional e distorcido, incapaz de absorver as capacidades nacionais e indiferente as consequências sociais nefastas com alto nível de pobreza. Este modelo de desagregação social está a fazer emergir forças sociais com pensamento transformador capazes de visionar Angola numa perspectiva mais humana e mais abrangente, integrando o homem no seu meio ecológico e subordinando a economia as preocupações sociais e culturais, formando o homem angolano para desempenhar um papel de maior valia no contexto mundial.


2- Quais os principais objectivos da FpD?

Neste contexto eleitoral a FpD quer ter um grupo parlamentar forte para influenciar a política de forma decisiva e ir promovendo a participação dos cidadãos na vida pública. Isto assegurará, sem dúvida, a diminuição da discriminação ora existente, o combate a política repressiva, mas por isto mesmo a promoção de maior oportunidades para os cidadãos. Também a FpD quer contribuir para que o conjunto de forças da mudança sejam capazes de no futuro parlamento trabalhar para implementar de facto o estado de direito em Angola, eliminando os aspectos ainda dominantes do partido-estado.


3- Aponte tres razoes para as pessoas votarem na FpD?

Uma razão importante é ter um programa decorrente da reflexão profunda dos problemas do país assente numa óptica social. Um programa integrador capaz de gerar o equilíbrio social, contra a formação de minorias dominantes económica e socialmente. Um programa integrador também porque capaz de colocar os cidadãos como obreiros do seu destino. Essa mobilização de vontades é a melhor garantia da transparência dos negócios públicos o que produzirá efeitos práticos imediatos na melhoria das condições gerais da existência dos angolanos. O eleitorado compreende já que as lutas e preocupações sociais vão seguramente subir ao parlamento, o processo de libertação social vai ter suporte político por excelência.

Uma segunda razão assenta no facto de existir na FpD não apenas um núcleo de quadros competentes e socialmente bem formados com força agregadora de outros potenciais, mas do núcleo político ter chegado a fase madura, após ter passado por várias provações que nunca lhes retirou a fé na possibilidade da transformação da nossa sociedade numa sociedade de bem estar com dignidade para todos. Postula uma pratica de integridade e unidade que não só dá estabilidade ao emergir como terceira força ao potencial desestabilizador da bipolarização, como qualifica a política e dá confiança a atitudes públicas, como ocorreu com a sua prática na oposição.

A terceira razão assenta na visão que a FpD tem de compreender a juventude e trabalhar com ela no sentido de passar o testemunho as novas gerações. A juventude com ideias transformacionais está com a FpD. Essa capacidade de compreensão da juventude (contrastando com a actual política de destruir todas as capacidades emergentes) assegura a possibilidade de rápido desenvolvimento social, pois é este grupo que domina o “porvir”.


4- Como caracteriza o processo eleitoral e que balanço faz da campanha, em particular? Dificuldades e facilidades?

O processo eleitoral desde a formulação das leis, a consequente calendarização, a gestão e o processo de decisão dos concorrentes decorreu de forma negativa e mostrou as debilidades sistémicas do ponto de vista democrático. Só a nossa visão segundo a qual mesmo com grandes falhas, truques e manipulações, as eleições são sempre um bem, desde que nos preservemos da violência, tornou tolerável o processo. A CIPE assumiu o registo para ter o tempo de manobra suficiente para justificar que o PR declarasse as eleições no tempo mínimo exigível, três meses. A partir daí tudo teve que acelerar sem que as regras estivessem claramente definidas, como por exemplo, como organizar o processo de entrega de assinaturas. O processo subordinou-se a boatos, repressões, desinformações que resultou em erros profundos no trabalho organizativo dos partidos. A estrutura administrativa para organização das candidaturas revelou fraquezas profundas devido a ausência de descentralização de serviços (registo criminal, por exemplo) e do facto de funcionários públicos decisivos terem uma mentalidade de partido único. O Tribunal Constitucional, apesar do trabalho abnegado, não poderia ser capaz de ajuizar sobre todas as questões e muitas candidaturas foram seriamente prejudicadas.

Que balanço? Assegurar uma boa logística num contexto de financiamento tardio (num país sem crédito comercial sobretudo para os partidos, logo, sem planeamento de médio prazo) tem sido o grande quebra cabeça da campanha. Note-se que todos os partidos recorrem ao mesmo tempo ao mercado e este está esgotado, não pode assegurar a entrega das encomendas em tempo de campanha. Isto diminuiu o impacto do programa projectado que era ocupar cada metro quadrado do país e levar a mensagem. Pouco material aumenta a pressão dos integrantes da campanha sobre a direcção. Também não foi possível aproveitar todas as potencialidades humanas uma vez que muita gente ainda tem receios de se expor e, por vezes, também dificuldades de enquadramento organizativo porque contraditoriamente tem havido uma explosão de vontades diversificadas que mereceria enquadramento para tornar a campanha mais eficaz. Mas a campanha é ainda dificultada pelo controlo que existe sobre as comunicações, a falta de divulgação dos locais de campanha, a batota da comunicação social oficial fazendo campanha descarada para o partido da situação fora do tempo de antena, sob a observação silenciosa do CNE e do CNCS (instituições que pensam que são Tribunais só se pronunciando perante protestos de terceiros) a pressão familiar sobre os jovens, com pais a exigirem que os filhos adoptem a sua cor política com ameaças de represálias. O voluntarismo, aliado a um espírito de sacrifício incomensurável, tem sem dúvida tornado a campanha mais fácil. A receptividade dos cidadãos as novas propostas tem facilitado a penetração da nossa política em meios amplos. A contenção, na generalidade, das forças da ordem (tão contundentes na fase da subscrição) desanuvia o ambiente em geral. A campanha tem mostrado que o país tem resultados magros para as potencialidades dos angolanos, que o futuro é risonho, que a mudança é possível e, seguramente, que a FpD é já uma força afirmada e criou um movimento de novas ideias, patamar da longa marcha pelo amor e pela alegria que os cidadãos vão percorrer a partir do 5 de Setembro.


Fonte: http://www.fpd-angola.com/



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